Uma resposta eficaz para o cancro da mama triplo negativo?

Estudo publicado na revista “PLOS Computational Biology”

22 junho 2018
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Uma equipa de investigadores desenvolveu um programa computacional que revelou uma combinação de fármacos que poderá ser eficaz no tratamento do cancro da mama triplo negativo.
 
O cancro da mama triplo negativo é bastante agressivo e não possui um tratamento com um fármaco específico. A quimioterapia é a única esperança, mas, se as células tumorais desenvolverem resistência ao tratamento, o índice de sobrevivência é curto. 
 
Tem-se procurado combinações de fármacos para procurar uma resposta eficaz para o cancro, mas tem sido difícil arranjar uma que funcione para casa caso, entre centenas possíveis.
 
Os investigadores da Universidade Monash, Austrália, consideram que o programa que desenvolveram, com a ajuda de dados genéticos e de células de cancro da mama triplo negativo cultivadas em laboratório e oriundas de centenas de pacientes, poderá ser a resposta para tratar a doença.
 
As células de cancro da mama triplos negativos podem desenvolver resistência a um único fármaco no espaço de dias e mesmo horas, através do redireccionamento das vias de sinalização nas células. “É semelhante a um acidente de carro e o tráfego redireciona-se à sua volta sem causar engarrafamento”, explicou Lan Nguyen, que coliderou o estudo.
 
No entanto, não se sabe como é que estas células encontram novas rotas para evitarem os efeitos do fármaco, acrescentou. 
 
Os investigadores caracterizaram, uma rede de sinalização-chave que permite o crescimento dos cancros da mama triplo negativos e desenvolveram um modelo computacional que prevê a forma como a rede se vai redirecionar em resposta a um fármaco. O novo modelo permite classificar várias combinações de fármacos e apurar as mais eficazes para exterminar o cancro, bloqueando o novo direcionamento adotado pelas células cancerígenas. 
 
Os cientistas descobriram assim uma combinação de fármacos que o modelo prognosticou ser bem-sucedida no tratamento da doença e esperam poder usá-la em ensaios clínicos entre dois a cinco anos.
 
A equipa espera com o novo modelo computacional obter uma aplicação que os médicos poderão usar para combinar fármacos de acordo com as necessidades de cada paciente com cancro.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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