"Último grito" da iluminação está a tornar a noite mais dia com efeitos na saúde

Alerta do astrofísico Raul Cerveira Lima

04 setembro 2018
  |  Partilhar:
As lâmpadas LED brancas estão a tornar a noite cada vez mais dia, agravando a poluição luminosa e os efeitos na saúde das pessoas e na vida de animais e plantas.
 
O retrato é do astrofísico Raul Cerveira Lima, especialista em poluição luminosa e professor na Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico do Porto.
 
"Nunca houve tanta luz à noite como agora", afirma à Lusa, acrescentando que as LED brancas, publicitadas "como o último grito" da iluminação devido à sua maior eficiência energética quando comparadas com outras luzes, estão a levar ao aumento do seu consumo.
 
Segundo Raul Cerveira Lima, as LED brancas, que "simulam o dia", estão a transformar a "paisagem noturna" e a ser instaladas "sem qualquer ponderação sobre os seus efeitos" na saúde humana, nos ecossistemas e no ambiente.
 
Um desses efeitos, salienta, é a perturbação no sono. A luz LED branca tem na sua composição um comprimento de onda azul muito pronunciado que, explica, agrava, quando comparada com outras luzes, a redução da produção de melatonina, a hormona do sono.
 
Em experiências de laboratório, realça Raul Cerveira Lima, o cancro da mama "evoluiu muito mais rapidamente" nos ratinhos que estavam expostos a luz LED branca.
 
Nas aves migratórias, o excesso de iluminação exterior, potenciado por estas luzes, está a desorientá-las e a encandeá-las. "Morrem aos milhões em países como os Estados Unidos e o Canadá por desorientação", descreve o docente. A Alemanha, conta, reduziu a iluminação pública porque o número de insetos estava a diminuir, um facto "inexplicável só pelo uso de pesticidas". 
 
Como solução, Raul Cerveira Lima sugere o uso em casa ou na rua das lâmpadas LED âmbar ou LED PC âmbar, de cor amarelo-alaranjada, que, apesar de serem "ligeiramente mais caras e menos eficientes" do que as lâmpadas LED brancas, "não têm os seus impactos".
 
"Portugal é um dos países da Europa com mais poluição luminosa e um dos países onde a poluição luminosa mais tem crescido", assinala, enumerando como razões o uso acrescido de lâmpadas LED brancas e a "falta de regulamentação" que defina os limites para a iluminação excessiva.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Partilhar:
Comentários 0 Comentar