Subproduto de uva portuguesa com potencial anti-inflamatório

Investigação da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

29 outubro 2019
  |  Partilhar:
O engaço de uva da casta portuguesa Rabigato tem potencialidades anti-inflamatórias e antioxidantes e pode ser usada na indústria farmacêutica e cosmética, revelou à Lusa a investigadora da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) Ana Barros.
 
Os investigadores do Centro de Investigação e Tecnologias Agroambientais e Biológicas da UTAD, em Vila Real, utilizam extratos de engaço de uva, um subproduto vitícola que resulta de cada vindima, para aferirem a sua potencialidade ao nível farmacêutico ou para a criação de produtos cosméticos.
 
Após o teste em bactérias do trato gastrointestinal, num estudo realizado em 2014 que envolveu sete castas, os investigadores entenderam que as potencialidades desta casta utilizada na região do Douro podem ter uma aplicabilidade ao nível farmacêutico.
 
“Houve uma casta que se revelou extremamente promissora, a Rabigato, que, apesar de ser casta branca, apresentou resultados superiores ao próprio antibiótico”, assinalou.
 
A investigadora responsável pelo estudo explica que esta casta autóctone portuguesa é muito rica num dímero do resveratrol, utilizado por empresas de produtos cosméticos.
 
"Verificámos que, além de ter capacidades como antioxidante, ajuda a diminuir o mau colesterol e o aumentar o bom colesterol", assinalou.
 
O objetivo agora é fazer ensaios com a vineferina, o composto que a distingue relativamente às outras castas, ou com o extrato completo, em linhas solares da pele para verificar a sua atividade anti-inflamatória, revelou.
 
A investigação iniciada em 2014 tinha como objetivo inicial a caracterização do engaço de uva, por haver poucos artigos publicados a nível mundial e por representarem 25% dos resíduos orgânicos da indústria vitivinícola.
 
Num trabalho que tem sempre como base a economia circular para valorizar um subproduto que pode ser utilizado com outro fim, Ana Barros lembra que este pode ser utilizado na área da cosmética e na área farmacêutica como alternativa aos antibióticos, cuja resistência a estes medicamentos é apontada pela Organização Mundial de Saúde como uma grande ameaça à saúde pública.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Partilhar:
Comentários 0 Comentar