Stress na gravidez pode influenciar relógio biológico do envelhecimento no bebé

Estudo publicado na revista “Neuropsychopharmacology”

17 abril 2017
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Uma equipa de investigadores conduziu um estudo que sugere que o stress materno durante a gravidez poderá influenciar as características genéticas do recém-nascido.
 
O estudo liderado por Tabea Send e Stephanie Witt do Instituto Central para a Saúde Mental, da Universidade de Heidelberg, Alemanha, indicou que as alterações nas características genéticas dos recém-nascidos podem conduzir ao envelhecimento biológico e a doenças associadas com o envelhecimento. 
 
Para o estudo, os investigadores tiveram por base o estudo dos telómeros, ou seja, das sequências de ADN que são essenciais para a replicação celular e ajudam a manter a integridade dos cromossomas. Os telómeros diminuem com cada divisão celular até atingirem eventualmente um comprimento muito reduzido, o que leva à apoptose, ou seja, morte celular.
 
Os telómeros diminuem substancialmente com a idade, sendo que o seu comprimento é usado como indicador biológico do envelhecimento. Deste molde, o comprimento dos telómeros no nascimento é um indicador do envelhecimento biológico e doenças relacionadas com a idade. 
 
A radiação ultravioleta, o stress oxidativo, doenças psiquiátricas e somáticas influenciam o comprimento dos telómeros. O stress materno durante a gravidez tinha sido também associado ao comprimento dos telómeros em pequenos estudos. 
 
Para o estudo, a equipa mediu o comprimento dos telómeros em 319 recém-nascidos e 318 mães na Alemanha. As mães foram entrevistadas e responderam a questionários sobre o seu estilo de vida, os níveis de stress, doenças psicológicas e também sobre aspetos relacionados com o pai. Foram recolhidas amostras de saliva das mães e do cordão umbilical, imediatamente após o nascimento dos bebés, para análise genética.
 
Os recém-nascidos com mães que tinham tido mais stress psicológico durante a gravidez apresentavam telómeros mais curtos. Os bebés com mães que tinham sofrido doenças psicológicas durante toda a vida não tinham o comprimento dos telómeros afetado. Finalmente, as mães que tinham tido stress durante a gravidez não apresentavam diferenças no comprimento dos telómeros, mas nas mães com doenças psicológicas vitalícias, o comprimento dos telómeros era reduzido.
 
Perante os resultados, Tabea Send conclui que “embora o significado das diferenças verificadas no comprimento dos telómeros para a saúde futura seja ainda pouco claro, os nossos achados enfatizam a necessidade de apoiar especialmente as mulheres com um maior risco de stress durante a gravidez”. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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