Stress afeta de forma diferente homens e mulheres com problemas cardíacos

Estudo publicado na revista “Psychosomatic Medicine: Journal of Biobehavioral Medicine”

30 novembro 2018
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Segundo uma equipa de investigadores, há diferenças entre homens e mulheres no mecanismo que faz o stress desencadear uma doença conhecida como isquemia do miocárdio induzida pelo stress mental.  
 
A isquemia do miocárdio induzida pelo stress mental consiste no fluxo sanguíneo deficiente para o músculo cardíaco, durante períodos de stress mental, e está relacionada com a severidade da acumulação de placa nas artérias coronárias nos homens, mas não nas mulheres. A doença é mais frequente em mulheres mais jovens.
 
Num estudo conduzido por Viola Vaccarino e colegas da Faculdade de Saúde Pública e Faculdade de Medicina da Universidade de Emory, EUA, foi analisada a associação, em homens e em mulheres, entre a acumulação de placa coronária (doença coronária obstrutiva) e ataque cardíaco recente, em 141 homens e 135 mulheres com idade inferior a 61 anos.
 
Todos os participantes foram submetidos a provas de esforço convencionais para avaliar o fluxo sanguíneo no miocárdio, em resposta a um desafio físico ou farmacológico. Os participantes foram ainda submetidos a testes de stress mental para avaliar o fluxo sanguíneo, em resposta a uma situação que causasse stress, como falar em público. 
 
A prova de stress mental revelou que 17% dos participantes (20% das mulheres e 15% dos homens) apresentavam isquemia do miocárdio induzida pelo stress mental, em virtude da redução do fluxo sanguíneo no miocárdio. 27% dos pacientes apresentavam isquemia do miocárdio induzida pelo stress convencional e apenas 10% tinham isquemia do miocárdio induzida pelo stress mental e isquemia do miocárdio induzida pelo stress convencional.
 
A presença de isquemia do miocárdio induzida pelo stress mental foi associada a uma maior severidade da doença coronária obstrutiva, tanto em homens como em mulheres. 
 
A isquemia do miocárdio induzida pelo stress mental foi associada a uma acumulação de placa mais severa apenas nos homens; nas mulheres a doença não foi associada à severidade da doença coronária obstrutiva.
 
Os autores concluíram que as mulheres são mais suscetíveis do que os homens a desenvolverem isquemia do miocárdio sem obstrução coronária. Os resultados sugerem que a isquemia do miocárdio induzida pelo stress mental se poderá desenvolver mediante mecanismos diferentes nos homens e nas mulheres. 
 
Uma hipótese para explicar este fenómeno poderá ser o facto de a doença nas mulheres refletir anormalidades que não o  bloqueio das artérias coronárias, como mau funcionamento dos vasos sanguíneos coronários mais pequenos. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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