Serviço Nacional de Saúde está em crescente precaridade

Estudo da Universidade Nova de Lisboa

06 dezembro 2016
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O Serviço Nacional de Saúde está a ser suportado pelo esforço dos médicos e profissionais que aceitam “trabalhar mais por menos dinheiro”, indica um estudo da Universidade Nova de Lisboa.
 

O estudo, coordenado pelos investigadores Raquel Varela e Renato Guedes, aponta para a crescente precariedade do Serviço Nacional de Saúde (SNS), uma espécie de regresso ao passado, a situações anteriores à década de 1960.
 

“Devido ao aumento das tarefas, do trabalho e da diminuição do rendimento, estamos a rebentar com as pessoas e estamos a rebentar com o Serviço Nacional de Saúde ”, revelou Raquel Varela à agência Lusa.
 

Segundo a historiadora, no mínimo, vão ser precisos “trinta anos para corrigir a situação”, caso exista vontade política.
 

“Hoje, o que faz funcionar o Serviço Nacional de Saúde (SNS) com menos dinheiro é o facto de os médicos receberem menos e trabalharem mais. Não são modificações de gestão, melhores condições de trabalho ou controlo de gastos. O que manteve a prestação dos cuidados de saúde são os médicos que passaram a trabalhar mais por menos”, acentuou.
 

“É como se o Serviço Nacional de Saúde (SNS) voltasse ao registo anterior a 1960, em que os hospitais eram centros de tratamento de pobres e, por essa via, de formação – sendo que os médicos após essa especialização passam a atender nos consultórios privados e em clínicas”, concluiu o estudo encomendado pelo Conselho Regional Sul da Ordem dos Médicos.
 

O estudo aponta para uma “evolução miserável” do número de médicos a exercer no SNS, sobretudo tendo em conta os profissionais formados pelo Estado, mas também para a degradação dos cuidados primários.
 

“O número de profissionais médicos a exercer no SNS teve uma evolução miserável se considerarmos o potencial em número de médicos formados desde a década de 1970, em particular, desde a criação do SNS. Verifica-se, nas nossas conclusões, a evolução negativa nos cuidados primários de saúde. Isto é, são formados muito mais médicos pelo SNS do que aqueles que ficam a trabalhar nele”, refere o documento.
 

O estudo estabelece também uma relação entre as várias investigações já realizadas sobre o “burnout” a que os médicos estão sujeitos desde a aplicação das medidas impostas pela troika (Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia), através do Memorando de Entendimento (17 de maio de 2011).
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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