Riscos da canábis para a saúde são desvalorizados

Alerta de especialistas

12 novembro 2018
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Especialistas alertaram para a importância de esclarecer os jovens para o impacto neurológico e respiratório do consumo de canábis, cujos riscos para a saúde podem ser desvalorizados por estar também associado a fins medicinais, noticiou a agência Lusa.
 
O facto de esta droga psicoativa poder ser também usada para fins medicinais conduz a que se instale “alguma confusão”, levando a “uma perceção reduzida dos riscos” cerebrais, sobretudo entre os adolescentes, defendeu Teresa Summavielle, investigadora na área da Biologia da Adição, no 34.º Congresso de Pneumologia, que decorreu em Albufeira.
 
Já o presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, José Miguel Chatkin, alertou para os efeitos adversos do consumo de canábis no sistema respiratório, sublinhando, contudo, que ainda não foi possível provar a relação entre o seu consumo e o aumento da probabilidade de desenvolver cancro do pulmão.
 
De acordo com a investigadora do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto, o consumo continuado de canábis pode levar ao desenvolvimento de doenças psiquiátricas e de comportamentos similares aos que são observados nos doentes com esquizofrenia.
 
"Era muito importante fazer, desde cedo, nas escolas, uma política clara para a aprendizagem dos efeitos destes componentes: do tabaco, da canábis e de outras drogas", defendeu Teresa Summavielle, em declarações à Lusa, sublinhando que os adolescentes têm "uma perceção muito reduzida" dos riscos cerebrais associados.
 
Por outro lado, refere a investigadora, apesar de se desconhecerem os mecanismos que produzem esta interação, o consumo de nicotina potencia o efeito do álcool e também dos canabinoides, o que significa que, tomadas em conjunto aquelas substâncias ganham ainda efeitos mais nocivos.
 
Apesar de os efeitos psicoativos do consumo da canábis serem imediatos, os seus componentes acumulam-se no tecido cerebral, mas também no tecido adiposo, o que faz com que a sua presença no organismo se prolongue por mais tempo, podendo ser detetada até quase um mês após a sua utilização, num consumidor regular.
 
O pneumologista José Miguel Chatkin, avisou, por seu turno, para o impacto do consumo de canábis no sistema respiratório, que pode, dependendo da frequência do consumo, ser tão nocivo como o consumo de tabaco.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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