Raparigas são quem mais recorre ao centro de atendimento Aparece

Apenas 2 em cada 10 utentes são rapazes

29 maio 2019
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As raparigas são quem mais recorre ao centro de atendimento Aparece, onde chegam quase sempre sozinhas à procura de ajuda, apurou a agência Lusa.    
 
Em cada dez utentes, apenas dois são rapazes. Todas as outras são raparigas à procura de ajuda. Em vinte anos, a equipa multidisciplinar atendeu milhares de jovens em cerca de 70 mil consultas e quando olha para trás vê que muita coisa mudou.
 
A sexualidade continua a ser o principal motivo das consultas, mas hoje muitos jovens já pedem ajuda antes de iniciar a sua vida sexual, contou à Lusa Maria de São José Tavares, fundadora e coordenadora do centro de atendimento Aparece – Saúde Jovem, destinado a jovens entre os 12 e os 24 anos.
 
“Quando abrimos há 20 anos havia um tempo entre o início da vida sexual e a procura de ajuda médica que às vezes era superior a um ano”. Atualmente, a grande maioria procura apoio num tempo inferior a um mês, disse Maria de São José Tavares, considerando esta mudança “um ganho de saúde enorme”.
 
A este propósito, observou que nos últimos três anos não houve nenhuma gravidez indesejada entre as jovens acompanhadas no centro.
 
Desde que o Aparece abriu portas em junho de 1999, a procura não tem parado de crescer, tendo atualmente 3.500 jovens inscritos. Por dia, há em média três novas consultas e o crescimento sustentado anual tem sido de 15%.
 
Para isso, contribui o facto ser um centro inclusivo, não ter limites geográficos e os jovens não precisarem de marcar consulta e poderem falar de qualquer problema num espaço confidencial e sem burocracias.
 
À sua espera tem uma equipa com “muita experiência” e “muito motivada” para os atender e responder às suas necessidades, disse a médica.
 
Alguns chegam “muito nervosos, normalmente meninas na área do planeamento”, umas porque “não estão a usar nada” e têm receio de estar grávidas, outras “vêm pedir contraceção de emergência”, contou a enfermeira.
 
“Quase todos os dias temos situações que nos marcam, situações muito graves, muito complexas”, algumas delas relacionadas com violência familiar ou de namoro, disse Manuela Santos, confessando que às vezes é preciso “respirar fundo” para descomprimir.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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