Qualidade de sono nas crianças pode afetar obesidade e risco de cancro

Estudo apresentado na Conferência Obesidade e Cancro: Mecanismos Subjacentes à Etiologia e Resultados

30 janeiro 2018
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A má qualidade de sono pode afetar os hábitos alimentares e o peso das crianças, indicou um estudo apresentado numa conferência norte-americana dedicada à obesidade e cancro.
 
“A obesidade na infância conduz muitas vezes à obesidade em adulto”, explicou Bernard Fuemmeler, autor principal do estudo, do Centro de Oncologia Massey da Universidade da Virgínia Commonwealth, EUA. “Isto põe-nos num maior risco de desenvolverem cancros relacionados com a obesidade na idade adulta”, continuou.
 
O investigador disse ainda que a maioria dos estudos sobre a relação entre o sono e a obesidade em crianças baseou-se na duração do sono, em vez da influência da qualidade dos padrões circadianos sobre a alimentação e peso (das crianças).
 
Para o estudo, a equipa de Bernard Fuemmeler recrutou 120 crianças, com uma mediana de idades de oito anos, e que estavam a ser seguidas desde antes do nascimento. 
 
Os investigadores registaram o ciclo circadiano das crianças através de acelerómetros que as pequenas participantes usaram durante pelo menos cinco dias, 24 horas por dia. 
 
O levantamento dos hábitos alimentares das crianças foi feito através de um teste em que elas consumiam uma refeição e diziam quando se sentiam saciadas; os investigadores depois calculavam a quantidade de alimentos que tinham consumido após terem atingido o ponto de saciedade.
 
Cada hora adicional de sono foi associada a uma descida de 0,13 no z-score do IMC, consiste no índice de massa corporal ajustado à idade e sexo, e a uma diminuição de 1,29 centímetros no perímetro abdominal dos pequenos participantes.
 
Por outro lado, quanto mais frequentes e extensas eram as transições entre o sono e atividade nas crianças, maior era o perímetro abdominal. O início antecipado do período mais ativo diurno foi também associado a um maior perímetro abdominal.
 
“Hoje em dia, muitas crianças não dormem o suficiente”, disse Bernard Fuemmeler. “Há uma data de distrações, como ecrãs no quarto, que contribuem para o sono interrompido, fragmentado. Isto, perpetuado ao longo do tempo, pode tornar-se um fator de risco para a obesidade, e devido às fortes ligações entre a obesidade e muitos tipos de cancro, a prevenção da obesidade na infância é, a meu ver, a prevenção do cancro”, rematou.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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