Porque razão as doenças autoimunes afetam mais as mulheres do que os homens?

Estudo publicado na revista “Nature Communications”

08 junho 2018
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Um novo estudo poderá ter desvendado os possíveis mecanismos subjacentes às diferenças em termos de sexo na incidência das doenças autoimunes.
 
Conduzido por Åsa Tivesten, docente de medicina na Academia Sahlgrenska, da Universidade de Gotemburgo na Suécia, e equipa, o achado poderá ser relevante para futuros tratamentos daquele tipo de doenças.
 
Nas doenças autoimunes, o sistema imunitário produz anticorpos que atacam os tecidos do próprio organismo. Quase todas estas doenças afetam mais as mulheres do que os homens, sendo a diferença particularmente visível no caso do lúpus, em que cerca de 90% dos pacientes são mulheres.
 
Sabe-se que existe uma ligação entre a testosterona, a hormona sexual masculina, e a proteção contra as doenças autoimunes. Efetivamente, os homens possuem 10 vezes mais testosterona do que as mulheres e encontram-se normalmente mais protegidos contra aquele tipo de doenças. 
 
A testosterona reduz o número de linfócitos B, que são células integrantes do sistema imunitário e libertam anticorpos prejudiciais. 
 
Os investigadores pretendiam perceber a ligação entre a testosterona e a produção dos linfócitos B no baço. Para o efeito conduziram diversos ensaios em ratinhos e analisaram amostras de sangue de 128 homens.
 
Como resultado, verificaram que a ligação entre a testosterona e a produção de linfócitos B estava numa proteína conhecida como BAFF que torna as células B mais viáveis.
 
A equipa concluiu que a testosterona suprime a proteína BAFF; se se eliminar a testosterona, existirá maior quantidade de BAFF e consequentemente mais linfócitos B no baço. Åsa Tivesten afirmou que a descoberta desta ligação é pioneira.
 
O achado encaixa com o de um estudo anterior que demonstrava que as variações genéticas na BAFF podem estar associadas ao risco de doenças como o lúpus. O lúpus é tratado com inibidores da BAFF, cujos resultados não são sempre satisfatórios. 
 
Sendo assim, saber como o organismo regula os índices de BAFF é muito importante para que se possa perceber que pacientes poderão beneficiar com os inibidores desta proteína. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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