Poluição automóvel associada a risco de asma em crianças

Estudo publicado na revista “Journal of Allergy and Clinical Immunology”

04 maio 2018
  |  Partilhar:
As crianças que moram a menos de 100 metros de estradas principais apresentam um risco três vezes maior de terem asma infantil, em relação a crianças que moram quatro vezes mais longe, indicou um estudo.
 
Embora se saiba que a poluição e o smog estejam envolvidos nos ataques de asma em crianças e adultos, não se sabia ao certo qual era a influência da exposição prolongada a alguns agentes poluentes sobre o desenvolvimento da doença em crianças, que se encontra em franca expansão desde os anos 80. 
 
Uma equipa de investigadores liderada pelo Complexo Clínico Beth Israel Deaconess e pela Faculdade de Saúde Pública T.H. Chan, EUA, descobriu que, com efeito, a exposição prolongada à poluição automóvel fazia aumentar significativamente o risco de asma infantil, principalmente em crianças pequenas.
 
A conclusão foi obtida após a análise de dados de 1.522 crianças residentes na área da cidade de Boston, nascidas entre 1999 e 2002 e que eram participantes noutro estudo sobre a influência dos fatores ambientais e comportamentais sobre a saúde das crianças.
 
Os investigadores tiveram acesso a registos completos clínicos, demográficos, socioeconómicos e ainda ao endereço das crianças. A equipa calculou ainda a distância entre o domicílio de cada criança e a estrada principal mais próxima. 
 
Finalmente, os investigadores estimaram a exposição diária de cada criança ao material particulado fino (PM, na sua sigla em inglês) e à fuligem, que é uma componente do PM fino expelido dos motores a gasóleo, principalmente, e um agente carcinogénico.
 
A equipa concluiu que as crianças que viviam a menos de 100 metros de uma artéria principal apresentavam uma probabilidade três vezes maior de terem asma entre os sete e os 10 anos, em comparação com as crianças que viviam a mais de 400 metros. Mary Rice, autora correspondente do estudo realçou que na área de Boston a poluição é relativamente baixa.
 
“A exposição durante toda a vida à fuligem e ao PM fino foi também associada a asma na primeira infância (dos três aos cinco anos), mas na segunda infância (idades de sete a 10 anos), aqueles poluentes foram associados à asma apenas nas raparigas”, comentou a investigadora, rematando que foi surpreendente descobrir a associação entre a poluição e asma apenas nas raparigas em idade escolar.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
Partilhar:
Comentários 0 Comentar