Perda de audição no envelhecimento associada a declínio cognitivo

Estudo publicado na revista “The Journals of Gerontology: Series A”

15 fevereiro 2019
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Um novo estudo indicou que a perda auditiva típica do envelhecimento está associada a um declínio cognitivo mais rápido que pode ser compensado com um nível académico mais avançado.
 
Para o estudo, que foi conduzido por uma equipa de investigadores liderados por Linda McEvoy da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia em San Diego, EUA, foram acompanhados 1.164 participantes com uma mediana de idades de 73,5 anos.
 
Todos os participantes tinham sido submetidos a avaliação da acuidade auditiva e da função cognitiva entre 1992 e 1996. Posteriormente, receberam mais cinco avaliações cognitivas, com um intervalo de cerca de quatro anos entre cada avaliação. Nenhum participante usava aparelho auditivo.
 
Os investigadores apuraram que quase metade dos participantes apresentava perda auditiva ligeira e 16,8% sofriam de perda auditiva moderada a severa. 
 
Os participantes com perda auditiva mais grave revelaram um pior desempenho na consulta inicial, em dois exames de avaliação cognitiva: Mini Exame do Estado Mental (MEEM) e Trail Making Test (TMT), Parte B.
 
A perda auditiva foi associada a um declínio mais elevado no desempenho naqueles testes ao longo do tempo, tanto nos participantes com perda auditiva ligeira, como nos com perda auditiva mais severa. 
 
Porém, as habilitações académicas faziam alterar a associação entre a perda auditiva ligeira e a velocidade do declínio cognitivo. 
 
Com efeito, a perda auditiva ligeira foi associada a um declínio mais rápido nos participantes sem estudos universitários, mas não nos participantes com estudos universitários. A perda auditiva moderada a severa foi associada a um declínio maior nos resultados do MEEM, independentemente das habilitações literárias.
 
“Depreendemos que a educação superior poderá proporcionar uma reserva cognitiva suficiente para contrabalançar os efeitos da perda auditiva ligeira, mas não o suficiente para ultrapassar os efeitos de uma perda auditiva mais severa”, concluiu Linda McEvoy.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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