Pegar em pesos pode afetar fertilidade feminina

Estudo publicado na revista “Occupational and Environmental Medicine”

13 fevereiro 2017
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As mulheres cujos empregos exigem pegar em pesos poderão ter a sua fertilidade afetada negativamente, atesta um novo estudo da Escola T.H. Chan de Saúde Pública da Universidade de Harvard, EUA.
 
O estudo liderado por Lidia Mínguez-Alarcón, do Departamento de Saúde Ambiental daquela escola, incidiu sobre mulheres que tinham pedido tratamento para problemas de fertilidade e demonstrou que as que trabalham por turnos ou têm horários fora do normal de escritório apresentam uma maior dificuldade em engravidar. 
 
A autora principal do estudo e colegas procederam à análise dos indicadores de reserva ovárica em 473 mulheres à espera de tratamento para a infertilidade. A reserva ovárica consiste na quantidade de óvulos remanescentes e no nível de hormona folículo-estimulante (FSH) que surge à medida que uma mulher envelhece e representa o declínio da fertilidade. As mulheres tinham em média 35 anos de idade e um índice de massa corporal (IMC) de 23.
 
Foi igualmente analisada a resposta ovárica em 313 das participantes que tinham completado um ciclo de fertilização in vitro (FIV). A resposta ovárica é o número de óvulos maduros que têm a capacidade de se desenvolverem para se tornarem embriões saudáveis.
 
Os investigadores questionaram ainda as mulheres sobre esforço físico e turnos de trabalho, bem como analisaram as associações entre aqueles fatores e biomarcadores da reserva ovárica e da resposta ovárica. As mulheres foram ainda questionadas sobre o que faziam nos tempos livres.
 
Foi apurado que quatro em 10 mulheres pegavam em pesos regularmente no local de trabalho; uma em quatro mulheres disseram que os seus trabalhos eram moderadamente ou muito exigentes fisicamente; cerca de 91% das participantes trabalhavam durante o horário normal de trabalho.
 
Foi observado que pegar regularmente em pesos não tinha impacto nos níveis de FSH. No entanto, as mulheres que tinham trabalhos fisicamente exigentes apresentavam uma reserva de óvulos inferior, em comparação com as que raramente manipulavam pesos.
 
As mulheres que trabalhavam por turnos apresentavam menos óvulos maduros do que as que trabalhavam com um horário regular. As mulheres que trabalhavam por turnos à noite apresentavam ainda menos óvulos maduros, o que segundo os investigadores poderá ser devido a uma interferência no relógio biológico daquelas mulheres.
 
Lidia Mínguez-Alarcón conclui que “o nosso estudo é o primeiro a demonstrar que a manipulação ocupacional de pesos poderá afetar negativamente a produção e qualidade dos óvulos, em vez de acelerar o envelhecimento ovárico. É, no entanto, necessária investigação futura para determinar se a produção de e qualidade dos óvulos pode ser melhorada e se sim, com que rapidez, se aquele tipo de exposição laboral for evitado”. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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