Pasta de dentes e sabonete líquido causam resistência a antibióticos

Estudo publicado na revista “Environment International”

22 junho 2018
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Um estudo recente descobriu que um ingrediente comum na pasta de dentes e no sabonete líquido para lavar as mãos pode estar a contribuir para a crescente resistência global aos antibióticos.
 
O estudo que foi efetuado por uma equipa de investigadores liderados por Jianhua Guo da Universidade de Queensland, Austrália, teve como enfoque o estudo do triclosan, um composto utilizado em mais de 2.000 produtos de higiene pessoal.
 
Segundo o líder do estudo, embora se saiba bastante bem que o uso excessivo e incorreto dos antibióticos esteja a criar bactérias multirresistentes, a equipa desconhecia, até à data, que outros químicos pudessem também induzir resistência antibiótica.
 
“As águas residuais de áreas residenciais possuem níveis semelhantes ou mesmo superiores de bactérias resistentes aos antibióticos a genes resistentes aos antibióticos em comparação com os hospitais, onde se esperaria maiores concentrações de antibióticos”, comentou Jianhua Guo.
 
Foi esse facto que conduziu os investigadores à formulação da hipótese de químicos antimicrobianos não antibióticos como o triclosan poderem eventualmente provocar resistência aos antibióticos.
 
Jianhua Guo recordou que esses compostos químicos são usados em quantidades muito maiores diariamente, sendo que níveis elevados de resíduos acabam no meio-ambiente, podendo induzir resistência a múltiplos fármacos.
 
“Esta descoberta oferece forte evidência de o triclosan encontrado nos produtos de higiene pessoal que usamos diariamente estar a acelerar a expansão da resistência aos antibióticos”, revelou o investigador líder do estudo.
 
Zhiguo Yuan, que participou neste estudo, alertou para o facto de esta descoberta dever ser uma chamada de atenção para reavaliar o potencial impacto de químicos como o triclosan.
 
Calcula-se que a resistência antimicrobiana mate atualmente 700.000 pessoas por ano no mundo inteiro, um número que deverá subir para 10 milhões em 2050 se não se agir imediatamente.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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