Olhos podem revelar alterações cognitivas em doentes de esclerose múltipla

Estudo da Universidade do Minho

30 outubro 2018
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Uma equipa da Universidade do Minho descobriu que os movimentos dos olhos podem "revelar alterações cognitivas em pessoas com esclerose múltipla", podendo a descoberta influenciar a escolha de tratamentos e técnicas de acompanhamento da doença, revelou aquela instituição.
 
Em comunicado enviado à Lusa, a Universidade do Minho (UMinho) explica que a investigação demonstrou que "os portadores de esclerose múltipla têm problemas a realizar os movimentos mais comuns do olho, ou seja, quando o olho muda rapidamente em direção a algo específico".
 
A esclerose múltipla, explica o texto, "surge quando a cobertura das células nervosas do cérebro e da espinal medula é danificada" podendo levar à visão dupla e cegueira num olho, além de comprometer funções coordenadoras gerais como sensibilidade, locomoção, força muscular, audição e excreção.
 
"Na prática, as pessoas diagnosticadas com aquela doença levaram mais tempo a iniciar o movimento ocular e, depois, a fixar com precisão o alvo visual. Por outro lado, ao olharem voluntariamente para outra direção, por exemplo, para o lado esquerdo quando uma luz piscava no lado direito, mostraram mais dificuldades a fazê-lo face a pessoas sem aquela doença", aponta a UMinho.
 
A pesquisa, explana o texto, "mostrou que aqueles movimentos oculares são um marcador quantitativo de danos neurais, ao comprometer a capacidade de inibir ou controlar as respostas impulsivas (ou automáticas) da pessoa com esclerose múltipla".
 
Segundo salienta o texto, a descoberta "pode influenciar a escolha de novos tratamentos e as técnicas de acompanhamento da progressão da doença".
 
A doença atinge 5.000 a 6.000 portugueses (oito casos em cada 10.000), dois terços dos quais são mulheres, e a sua esperança de vida é de menos cinco a dez anos face à média nacional.
 
A patologia ainda sem cura deve-se à combinação de fatores ambientais, genéticos e infeciosos, como faltar vitamina D, contrair o vírus Epstein Barr e ter alguns genes sinalizados.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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