Obesidade só pode ser travada com "ação concertada"

Considerações da especialista Paula Freitas

18 maio 2018
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A Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO) defendeu que só uma “ação concertada” com profissionais de várias especialidades e medicamentos comparticipados pode travar o “grave problema” da obesidade.
 
Paula Freitas, presidente da SPEO disse à agência Lusa, que o problema “já é tão transversal, desde a infância, à idade adulta e aos idosos, que temos que ter medidas para atacar todas essas frentes”. 
 
Nos últimos anos, tem vindo a aumentar a prevalência da obesidade, que atinge neste momento 22,3% da população adulta portuguesa. Há ainda 34,8% com pré-obesidade, salientou a endocrinologista.
 
“Portugal foi um dos primeiros países a considerar a obesidade como doença. No entanto, até hoje nenhum fármaco para o tratamento da obesidade foi comparticipado”, lamentou.
 
Tendo em conta que a obesidade é “muito mais prevalente” nas classes mais desfavorecidas, o problema agrava-se. Estas pessoas “não têm acesso aos medicamentos”, porque não os podem comprar. 
 
Mas “daqui a uns anos, o Serviço Nacional da Saúde vai pagar o tratamento das doenças e de todas as comorbilidades associadas à obesidade”, que podiam ser evitadas se a doença fosse tratada na fase inicial.
 
“Temos que pôr a obesidade no centro e tratá-la de uma forma agressiva a partir do centro e não andar a tratar todas as doenças que estão à volta”, disse, defendendo que é preciso dotar os cuidados de saúde primários com as ferramentas necessárias para o fazer.
 
Os médicos de família devem sinalizar a pessoa, ajudá-la, orientá-la e referenciar os casos mais graves para os cuidados hospitalares. O “mais importante” é identificar o problema que está por trás da obesidade e dar a solução adequada a cada pessoa”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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