O que comemos poderá influenciar a nossa memória

Estudo publicado na “Neurobiology of Aging”

01 fevereiro 2019
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A nossa alimentação poderá ter um impacto sobre o nosso cérebro e memória, indicou um novo estudo.
 
O estudo conduzido por uma equipa de investigadores da Universidade do Estado de Iowa, EUA, dá, de certa forma, voz ao bem conhecido ditado “nós somos o que comemos”.
 
Com efeito, Auriel Wilette e equipa descobriram que a presença de níveis elevados de uma hormona da saciedade, a colecistoquinina (CCK) poderá diminuir a probabilidade de se desenvolver a doença de Alzheimer.
 
A CCK encontra-se no intestino delgado e no cérebro, explicou Auriel Wilette. A CCK permite a absorção de gordura e proteína no intestino delgado. A hormona encontra-se na região do hipocampo, no cérebro, que é responsável pela formação de memórias.
 
Para a sua investigação, a equipa analisou dados relativos à CCK em 287 participantes num estudo conhecido como Alzheimer's Disease Neuroimaging Initiative (Iniciativa de Neuroimagem da Doença de Alzheimer).
 
Foi apurado que os indivíduos que possuíam níveis mais elevados de CCK apresentavam uma possibilidade 65% menor de terem défice cognitivo ligeiro, que constitui o estado precursor da Alzheimer.
 
Auriel Wilette comentou que este achado poderá ajudar a perceber o impacto das hormonas da saciedade no sangue e cérebro sobre a função cerebral.
 
Alexandra Plagman, investigadora que liderou este estudo, explicou que a equipa escolheu a hormona CCK pois esta tem uma elevada expressão na formação de memórias.
 
A equipa espera que este estudo encoraje outras investigações sobre o aspeto nutricional da alimentação, em vez de se considerar apenas o aporte calórico. A investigadora está atualmente a estudar o impacto da alimentação sobre os níveis de CCK através da análise dos níveis de glicose em jejum e de cetona. 
 
“A regulação de quando e quanto comemos pode ter alguma associação com a qualidade da nossa memória”, disse Auriel Wilette. “Conclusão: o que comemos e o que faz o nosso organismo com isso afetam o nosso cérebro”, concluiu.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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