O glaucoma é uma doença autoimune?

Estudo publicado na revista “Nature Communications”

14 agosto 2018
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Uma equipa de investigadores descobriu que as células imunitárias no olho, que se desenvolvem em resposta à exposição precoce a bactérias, constituem um fator-chave para a progressiva perda de visão nos pacientes com glaucoma.
 
O notável achado foi resultado de estudo conduzido por uma equipa de investigadores do hospital dos Olhos e Ouvidos de Massachusetts e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, EUA, e poderá significar uma nova esperança para tratar uma doença que é a segunda principal causa de cegueira irreversível a nível mundial.
     
Os achados da equipa sugerem que a pressão alta nos olhos conduz à perda de visão através do desencadeamento de uma resposta autoimune que ataca os neurónios nos olhos, algo semelhante às respostas imunitárias desencadeadas por infeções bacterianas.
 
Sendo assim, Dong Feng Chen, do hospital dos Olhos e Ouvidos de Massachusetts e coautor sénior deste estudo, considera que “o nosso trabalho demonstra que há esperança em encontrar cura para o glaucoma, ou mesmo prevenir totalmente o seu desenvolvimento, se conseguirmos encontrar uma forma de atuar sobre aquela via”.
 
A investigadora explicou ainda que os tratamentos atuais para o glaucoma se destinam apenas a diminuir a pressão ocular. No entanto, quando a pressão volta ao normal, o paciente pode ainda perder a visão.
 
“Agora, sabemos que o stress oriundo da alta pressão ocular pode iniciar uma resposta imunitária que desencadeia um ataque aos neurónios do olho pelas células T”, explicou.
 
Já se sabia que a pressão ocular constituía o principal fator de risco do glaucoma. No entanto, pouco se sabia sobre como e por que razão é que os pacientes com alta pressão ocular desenvolvem cegueira permanente. Mais, alguns pacientes com glaucoma não apresentam alta pressão ocular e alguns sofrem degeneração do nervo ocular na mesma, e a subsequente perda de visão, mesmo com a pressão ocular controlada. 
 
A equipa descobriu que quando a pressão ocular aumenta, induz a expressão de proteínas de choque térmico que se desenvolvem em resposta a condições de stress. Isto conduz a uma resposta pelas células imunitárias, as células T de memória, que estão programadas para responderem às proteínas de choque térmico. As células T de memória atacam os neurónios da retina, conduzindo à degeneração do nervo ótico e frequentemente à perda progressiva de visão.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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