O “mau” colesterol é realmente mau?

Estudo publicado na revista “Expert Review of Clinical Pharmacology”

08 outubro 2018
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Uma equipa de investigadores conduziu um estudo para procurar verificar se o colesterol LDL, conhecido como “mau” colesterol, é realmente tão mau como se pensa.
 
Segundo a equipa liderada por Uffe Ravnskov, médico e investigador independente baseado em Lund, Suécia, “estatísticas enganadoras, a exclusão de ensaios malsucedidos e […] o ter-se ignorado numerosas observações contraditórias” terão constituído a base de a crença, já de várias décadas, de assumir o colesterol LDL como sendo mau, que poderá estar totalmente errada.
 
Para o estudo, os investigadores analisaram os achados de três estudos de grandes dimensões que sustentavam que o colesterol LDL conduz à aterosclerose e a doenças cardiovascular, e que as estatinas previnem aquele tipo cardiovascular.
 
Os investigadores consideram que a hipótese de o colesterol LDL causar doenças cardiovasculares é inválida “pois as pessoas com níveis baixos tornam-se tão ateroscleróticas como as pessoas com níveis elevados e o seu risco de sofrerem de doenças cardiovasculares é o mesmo ou mais elevado”.
 
A equipa mencionou ainda o facto de numerosos estudos sobre indivíduos mais jovens e de meia-idade terem demonstrado que o nível elevado de colesterol total e de colesterol LDL prognosticarem doenças cardiovasculares futuras. “Isto é correto, mas associação não é o mesmo que causa”, argumentou a equipa, acrescentando que os estudos não provam causalidade e que os métodos estatísticos oferecem alguma inexatidão.
 
Foi ainda mencionado o facto de os estudos não terem considerado outras causas potenciais de doenças cardiovasculares, como inflamação, infeções e stress mental.
 
Uffe Ravnskov conclui que as conclusões dos três estudos analisados são baseadas em factos estatísticos que podem induzir em erro, excluem ensaios malsucedidos e ignoram muitas observações contraditórias.
 
“As investigações que se debruçaram sobre o LDL apresentam incorreções terríveis”, avançou David Diamond, coautor do estudo. “Não só existe uma falta de ligação causal entre o LDL e as doenças cardíacas, mas também a abordagem estatística às estatinas usada pelos defensores para demonstrarem benefícios tem sido enganosa”, disse.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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