Normalização dos tamanhos grandes causa perceção errada do próprio peso

Estudo publicado na revista “Obesity”

27 junho 2018
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Um novo estudo indicou que a normalização dos tamanhos grandes poderá estar a conduzir cada vez mais pessoas a terem uma perceção errada sobre o seu próprio peso.
 
O estudo que foi conduzido por Raya Muttarak, da Universidade de East Anglia, Inglaterra, e do Instituto Internacional de Análise de Sistemas Aplicados, Áustria, reconheceu que a tentativa da redução do estigma atribuído a quem tem peso excessivo poderá ter uma consequência negativa, embora não intencional, de subestimação do próprio peso.
 
O lançamento de linhas de vestuário para quem tem tamanhos grandes, por exemplo, é um exemplo dessa tentativa de procurar que as pessoas aceitem o seu próprio corpo, mas não reconheçam os problemas de saúde que pode causar o excesso de peso.
 
Raua Muttarak decidiu analisar as características demográficas e socioeconómicas associadas à perceção errada do peso.
 
A investigadora contou com dados de quase 23.460 pessoas em Inglaterra que apresentavam excesso de peso ou obesidade e descobriu a má perceção sobre o próprio peso neste grupo populacional, entre 1997 e 2015, aumentou de 48,4% para 57, 9% nos homens e 24,5% para 30,6% nas mulheres. 
 
Entre as pessoas classificadas como obesas, a proporção de homens que subestimavam o próprio peso quase tinha duplicado entre 1997 e 2015 (de 6,6% para 12%).
 
Adicionalmente, as pessoas com habilitações académicas e rendimentos mais baixos apresentavam uma possibilidade maior de terem uma perceção errada sobre o próprio peso, e consequentemente de não procurarem emagrecer.
 
A autora explica que a população com status socioeconómico inferior em Inglaterra tem menos acesso a alimentos saudáveis como fruta e legumes, e mais acesso a alimentos processados (estes últimos são mais baratos), poderão ter menos acesso a cuidados de saúde e uma literacia de saúde mais limitada. 
 
Finalmente, esta população poderá estar mais em contacto com outras pessoas com excesso de peso, do que as pessoas com um status socioeconómico mais elevado, o que contribui para uma normalização visual do excesso de peso. 
 
A investigadora considera fundamental que os programas de intervenção de saúde pública deem prioridade às desigualdades no que respeita os riscos relacionados com o excesso de peso e obesidade.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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