Medicina regenerativa e células estaminais: realidade ou utopia na prática clínica?

Estudo publicado na revista “The Lancet”

16 outubro 2017
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Uma comissão da revista científica “Lancet” publicou recentemente um relatório em que é discutida a considerada promissora medicina regenerativa e a terapia com células estaminais.
 
Nos últimos 10 anos, explicam Giulio Cossu, da Divisão de Biologia Celular e Matricial e de Medicina Regenerativa na Universidade de Manchester, Inglaterra, e restantes membros da comissão de cientistas, a medicina regenerativa e a terapia com células estaminais sofreram enormes avanços e com eles nasceu a promessa de tratamentos muito inovadores.
 
Todavia, argumenta a comissão de especialistas no relatório publicado, os sucessos clínicos foram obtidos maioritariamente em coortes com um número reduzido de pacientes. Adicionalmente, apresentam-se muitos desafios para obter estes benefícios substanciais desses tratamentos na prática clínica de rotina.
 
A medicina regenerativa consiste no uso de biomateriais, células e moléculas para regenerar estruturas no organismo que não funcionam adequadamente devido a uma lesão ou doença. A terapia com células estaminais consiste simplesmente em retirar células de um dador e implantá-las no paciente para tratar uma lesão ou doença.
 
O que diferencia a medicina regenerativa e a terapia com células estaminais de muitos fármacos convencionais é o facto de estes últimos apenas tratarem os sintomas e não as causas, enquanto as primeiras atuam sobre a causa do problema, a “substituir ou reparar células humanas, ou regenerar tecido ou órgãos para recuperar a função normal”. 
 
Vejamos um exemplo. Um paciente com diabetes de tipo 1 não consegue produzir insulina, por isso recebe injeções diárias daquela hormona para manter os níveis de açúcar no sangue estáveis. 
 
A medicina regenerativa, no entanto, iria procurar resolver o problema através da regeneração das ilhotas de Langerhans, permitindo que o paciente volte a produzir insulina. Sendo assim, o paciente irá voltar a ter níveis de açúcar no sangue normais e deixar de necessitar das injeções de insulina. Este tipo de tratamento da diabetes de tipo 1 não é ainda uma realidade, mas noutras áreas já o é.
 
Promissor? Muito. A medicina regenerativa promete revolucionar os tratamentos médicos, através do recurso a materiais biocompatíveis e células estaminais. “Existe o potencial de reduzir substancialmente o fardo da doença em certos problemas comuns (ex.: AVC, doença cardíaca, problemas neurológicos progressivos, doenças autoimunes e trauma)”, explicam os cientistas.
 
No entanto, o painel de cientistas chama a atenção para o facto de apesar de promissores, atualmente o número de tratamentos que recorrem à medicina regenerativa é extremamente reduzido.
 
Mas então porque é que estes novos e promissores tratamentos não estão em uso alargado na prática clínica?
 
O problema é que os tratamentos que recorrem à medicina regenerativa são muito dispendiosos e muitas vezes requerem unidade de produção especiais e pessoal altamente especializado: “podem ser obtidos enormes benefícios com a medicina regenerativa, mas a um preço muito elevado, e a viabilidade financeira pode limitar a implementação, mesmo que haja uma grande possibilidade de se poupar nos custos numa fase posterior”, consideram os especialistas.
 
Adicionalmente, até serem aprovados novos tratamentos pelas autoridades competentes, corre um longo processo até ser provado que o tratamento é seguro e eficaz.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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