Jogadores compulsivos procuram ajuda para outro tipo de comportamento

Declarações do presidente do organismo de intervenção nas dependências

24 janeiro 2017
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Muitos jogadores compulsivos procuram ajuda nos serviços de saúde por outro tipo de comportamento, como a adição ao álcool, e não pela dependência que têm do jogo, de acordo com o presidente do organismo de intervenção nas dependências. 
 
“Muitas pessoas que procuram ajuda fazem-no não tendo a perturbação de jogo como queixa primordial, mas por outro tipo de comportamentos aditivos e dependências”, referiu o presidente do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD).
 
Segundo João Goulão, é “relativamente comum” a associação deste tipo de doença com outras doenças, designadamente do foro psiquiátrico, entre as quais as perturbações da ansiedade, do humor e da personalidade. 
 
A adição ao jogo é um problema que merece atenção, “não só em matéria de tratamento, pela elevada dimensão clínica e disfunção psicossocial que frequentemente acarreta, como também no plano preventivo. O jogo é uma atividade que, desde que praticada de modo responsável, não só não apresenta riscos para a saúde como oferece um terreno lúdico e de estimulação bastante relevantes”, acrescentou. 
 
João Goulão, alertou, “a gradativa alteração dos padrões de socialização durante a infância e a adolescência”, frequentemente mediados pelo jogo on-line, faz antever a possibilidade de desenvolvimento de perturbações aditivas em idades precoces, potencialmente mais prevalentes em indivíduos com outros fatores de vulnerabilidade”. 
 
O presidente do SICAD advertiu ainda que o contacto com as novas tecnologias acontece cada vez mais cedo, o que requer “uma adaptação por parte dos cuidadores e educadores”. 
 
“Estamos, portanto, a falar de um fenómeno cuja abordagem é bastante desafiante e requer uma integração de perspetivas múltiplas do conhecimento, desde as áreas mais clínicas às da educação”, defendeu.
 
Salientou ainda que não é claro o que determina uma eventual passagem de jogo sem recurso a dinheiro para jogo a dinheiro, mas considera que “poderá constituir um amplo caminho de investigação futura”. 
 
O presidente do SICAD salienta que, tal como outros vícios, a perturbação de jogo decorre em “múltiplas fases do ciclo de vida e em contextos muito diversificados”.
Nesse sentido, defendeu, o apoio dado a pessoas com este tipo de perturbação ou em risco de a desenvolver deve “mobilizar todo o espectro de respostas em saúde”, mas também de outras entidades de outros ministérios e organizações não-governamentais com intervenção nesta área.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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