Implantes mamários de silicone com maior risco de certas doenças raras

Estudo publicado na revista “Annals of Surgery”

20 setembro 2018
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As mulheres que recebem implantes mamários de silicone poderão apresentar um maior risco de resultados adversos em comparação com a população geral, indica um estudo muito alargado.
 
Após alguma polémica com o uso dos implantes de silicone mamários a “Food and Drug Administration” (FDA), uma agência federal do Departamento de Saúde dos EUA voltou a aprovar em 2006, o seu uso por dois fabricantes, estipulando que os mesmos conduziriam estudos para monitorizar os resultados a longo prazo dos implantes.
 
Foram recolhidos dados sobre 99.993 pacientes que receberam implantes mamários. Mais de 80 mil das pacientes receberam implantes de silicone e o resto das pacientes recebeu implantes preenchidos com uma solução salina estéril.
 
72% das pacientes tinham sido submetidas a um aumento mamário, 15% a um aumento mamário subsequente, 10% a reconstrução mamária e 3% a procedimentos de revisão de reconstrução mamária. 
 
Como resultado, os investigadores descobriram que as mulheres que tinham recebido implantes de silicone corriam um risco mais elevado de variadas doenças raras, em relação à generalidade da população. 
 
Estes riscos incluíam três doenças classificadas como sendo autoimunes ou reumatológicas: aumento de oito vezes no risco de síndrome de Sjögren, de sete vezes o risco de esclerodermia e de seis vezes o de artrite reumatoide, em relação à população em geral. 
 
Os implantes de silicone foram ainda associados a um aumento de 4,5 vezes no risco de um nado-morto, mas não significativamente superior no risco de aborto espontâneo. O risco de melanoma era quatro vezes superior. Não se encontrou um risco significativamente superior de suicídio, ao contrário do que tinha sugerido um estudo.
 
Em relação aos implantes com solução salina, os implantes de silicone foram associados a algumas complicações, a saber, 5% de casos contratura capsular (perda de elasticidade da cápsula à volta do implante) com o silicone contra 2,8% com a solução salina. Este problema ocorreu em 7,2% dos procedimentos de aumento mamário e constituiu a razão mais comum de nova operação neste grupo.
 
No entanto, os índices absolutos de resultados adversos foram baixos, salientaram os investigadores, acrescentando que os seus achados foram inconclusivos devido a certas limitações das bases de dados.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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