Hormona do stress: níveis presentes em cabelo podem prever sucesso da FIV

Estudo publicado na revista “Psychoneuroendocrinology”

24 outubro 2016
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Os níveis de uma hormona presente no cabelo de uma mulher podem prever o sucesso da fertilização in vitro (FIV), dá conta um estudo publicado na revista “Psychoneuroendocrinology”.
 
O estudo levado a cabo pelos investigadores da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, apurou que as mulheres com níveis elevados da hormona do stress, o cortisol, no cabelo apresentavam uma probabilidade significativamente menor de engravidar através da FIV, comparativamente com aquelas que tinham níveis baixos dessa hormona.
 
Os investigadores, liderados por Kavita Vedhara, defendem que esta técnica permite a medição da função hormonal acumulada ao longo dos últimos três a seis meses e, como tal, fornece uma medida mais fiável da função hormonal, comparativamente com as outras técnicas que utilizam a saliva, sangue e urina, que apenas medem os níveis de curto prazo da hormona.
 
O estudo demonstra assim que os níveis de longo prazo do cortisol, que são afetados por vários fatores do estilo de vida, como a dieta, prática de exercício, cafeína e mais especificamente pelo stress, podem desempenhar um papel importante nos resultados reprodutivos.
 
Os cientistas acreditam que a redução do cortisol antes do tratamento da infertilidade poderia, consequentemente, melhorar os resultados para muitos milhares de casais que são submetidos à FIV anualmente.
 
Para o estudo, os investigadores contaram com a participação de 135 mulheres, 60% das quais ficaram grávidas em resultado da FIV. Ao longo de dois dias foram recolhidas amostras da saliva das participantes, imediatamente após o acordar, 30 minutos após terem acordado e às 22 horas. Oitenta e oito mulheres também forneceram amostras do cabelo para medição do cortisol.
 
Após terem analisado os níveis de cortisol nos dois tipos de amostras, os investigadores verificaram que os níveis de cortisol presentes nas amostras da saliva não estavam relacionados com os resultados da gravidez, contrariamente aos encontrados nas amostras do cabelo.
 
Comparativamente com as mulheres que apresentavam níveis baixos de cortisol nas amostras de cabelo, aquelas com níveis elevados desta hormona eram 27% menos propensas a engravidar após a FIV.
 
Estes resultados mantiveram-se inalterados após os investigadores terem em conta o índice de massa corporal, o número de ovos recuperados durante a FIV, o número de óvulos fertilizados e outros fatores que podem influenciar o sucesso do tratamento.
 
Apesar de estes achados não implicarem diretamente o stress no êxito da FIV, indicam que os níveis elevados de cortisol estão, de facto, associados a uma menor probabilidade de sucesso do tratamento. 
 
"Sabemos que muitos fatores influenciam a probabilidade de sucesso da FIV e, nesta fase, ainda não compreendemos completamente todos os fatores que influenciam o sucesso do tratamento”, referiu, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Adam Massey.
 
O investigador acrescentou que a otimização da probabilidade de sucesso da FIV é muito importante e este estudo sugere que a redução do cortisol nos meses que antecedem o tratamento pode ter um papel importante na conceção.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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