Fibrilhação auricular pode aumentar risco de demência

Estudo publicado na revista “Neurology

15 outubro 2018
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Os pacientes com fibrilhação auricular podem sofrer um declínio mais rápido das competências de raciocínio e de memória e um maior risco de demência do que quem não tem a doença, indica um novo estudo.  
 
Segundo o sítio da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, a fibrilhação auricular é a arritmia crónica mais frequente, em que há uma perda da função mecânica auricular, o que leva à estagnação do sangue e à formação de coágulos nas aurículas que podem ir para o cérebro e causar um acidente vascular cerebral (AVC).
 
Para o estudo, Chengxuan Qiu do Instituto Karolinska e da Universidade de Estocolmo, ambos na Suécia, e colegas analisaram dados sobre 2.685 adultos mais velhos, com uma média de idades de 73 anos no início do estudo, sem demência mas 243 (9%) dos quais tinham sido diagnosticados com fibrilhação auricular. 
 
Os participantes foram entrevistados e submetidos a exames no início do estudo, e subsequentemente seis anos depois, para aqueles que tinha menos de 78 anos e de três em três anos para os que tinham 78 anos e mais de idade. Os voluntários foram seguidos durante uma média de seis anos.
 
No início do estudo e nas consultas subsequentes com os investigadores os participantes foram submetidos a rastreios de fibrilhação auricular, das competências de memória e raciocínio e de demência.
 
Durante o período de monitorização, foram diagnosticados 279 (11%) participantes adicionais com fibrilhação auricular e 399 (15%) casos de demência.
 
Os investigadores apuraram que os pacientes com fibrilhação auricular apresentavam um declínio mais rápido nas competências de memória e raciocínio, e ainda uma possibilidade 40% superior de demência em relação aos que não tinham aquele tipo de arritmia.
 
Dos 2.163 participantes sem fibrilhação auricular, 278 (10%) desenvolveram demência; por outro lado, das 522 pessoas com fibrilhação auricular, 121 (23%) desenvolveram demência.
 
Contudo, foi observado que os participantes que tomavam anticoagulantes para a fibrilhação auricular apresentavam uma possibilidade de 60% de demência. Das 342 pessoas que não tomavam aquele fármaco para a doença, 76 (22%) desenvolveram demência, enquanto apenas 14 (11%) dos 128 que tomavam anticoagulantes desenvolveram a doença.
 
Em suma, assumindo que existe uma relação de causa e efeito entre o uso dos anticoagulantes e a demência, a equipa estima que 54% dos casos observados no estudo poderiam ter sido hipoteticamente evitados, o que justifica que as pessoas mais velhas tomem aqueles fármacos para a fibrilhação atrial.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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