Fatores psicológicos na sexualidade de pessoas com incapacidade física em estudo

Estudo da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto

27 outubro 2017
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Uma equipa de investigadores está a avaliar o impacto de fatores psicológicos como as crenças, a capacidade de estar mais consciente no momento presente e de ser mais bondoso consigo próprio, na vida sexual de pessoas com incapacidades físicas, apurou a agência Lusa.
 
"Aquilo que nos motiva a estudar esta temática é uma perspetiva social, que passa pelo estigma que as pessoas com problemas motores e neuromotores, como tetraplegia, paraplegia, amputações e esclerose múltipla, partilham em termos da sua sexualidade", disse à Lusa a investigadora Raquel Pereira, do laboratório SexLab, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP).
 
Segundo indicou, este estudo permitirá perceber as principais diferenças relativamente ao funcionamento e satisfação sexual, de modo a poderem planear-se intervenções mais adequadas às circunstâncias.
 
Apesar de a sexualidade ser essencial na saúde, continuou a investigadora, no que diz respeito às pessoas com incapacidade, esta é "frequentemente ignorada ou negligenciada pelos profissionais de saúde e pela sociedade em geral".
 
Dados de um estudo preliminar, realizado por Raquel Pereira junto de pessoas com diferentes incapacidades físicas, demonstraram "a elevada importância da sexualidade e intimidade enquanto direitos fundamentais para uma vida independente".
 
"A baixa autoestima, preconceito e isolamento social são vistos pelos participantes como as principais barreiras à sua sexualidade, os quais identificam o acesso à informação especializada como uma das principais necessidades para lidar com o impacto da sua condição física na sexualidade", referiu.
 
Ao nível das barreiras contextuais, foi identificado o acesso limitado a determinadas atividades, tecnologias ou recursos financeiros para tratamentos especializados, que poderiam facilitar a vida sexual dessas pessoas e ajudá-las a resolver algumas questões da sua sexualidade.
 
Embora não seja o foco deste projeto, desde que começou este trabalho, a investigadora tem percebido que a realidade portuguesa quanto à intervenção e ao acesso a tratamentos nesta área "é muito inconsistente".
 
"Há serviços onde já existem, outros em que vai havendo uma atitude mais positiva, mas nos quais os técnicos não conseguem dar resposta, e outros em que os profissionais nem sequer são sensibilizados para estas situações", disse.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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