Fármacos para o VIH poderão tratar a doença de Alzheimer

Estudo publicado na revista “Nature”

04 dezembro 2018
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Uma equipa de investigadores descobriu que um tipo de enzima que permite que o VIH infete as células, recombina também um gene de forma a criar milhares de novas variantes genéticas nos neurónios dos doentes com Alzheimer.
 
O gene, conhecido como proteína precursora de amiloide (PPA), é a molécula precursora cuja degradação gera proteína beta-amiloide e encontra-se no cérebro, espinhal-medula e outros tecidos e órgãos. 
 
Os autores da descoberta, do Instituto de Descobertas Médicas Sanford Burnham Prebys, EUA, consideram que o achado poderá explicar a forma como o gene APP conduz à acumulação tóxica de proteína beta-amiloide. 
 
Segundo Jerold Chun, autor sénior do estudo, a descoberta também “muda fundamentalmente a forma como percebemos o cérebro e a doença de Alzheimer”.
 
O investigador e equipa usaram técnicas de análise de ponta para analisarem o gene APP em amostras de cérebros normais e com a doença de Alzheimer.
 
Como resultado, a equipa descobriu que o gene APP produz novas variantes genéticas nos neurónios, através de um processo de recombinação genética. O processo requer, especificamente, a enzima transcriptase reversa, que também se encontra no VIH.
 
A transcriptase reversa e a “reinserção das variantes genéticas no genoma original” criaram alterações permanentes no ADN, em forma de “mosaico”.
 
Jerold Chum explicou que “a recombinação genética foi descoberta como sendo simultaneamente um processo normal para o cérebro e um que corre mal na doença de Alzheimer”. Com efeito, todas as amostras de tecido cerebral com Alzheimer apresentavam um número desproporcionalmente elevado de diferentes variações genéticas em comparação com as de cérebros saudáveis.
 
“Se imaginarmos o ADN como sendo uma língua que cada célula usa para ‘falar’, descobrimos que, nos neurónios, só uma simples palavra pode produzir muitos milhares de palavras novas, não reconhecidas anteriormente”, comparou o investigador. 
 
Considerando os resultados do estudo, a equipa sugere que a terapia antirretroviral que bloqueia a transcriptase reversa poderá ter o potencial de ser um tratamento viável para a doença de Alzheimer.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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