Exame tradicional ao glaucoma pode falhar na severidade da doença

Estudo publicado na “JAMA Ophthalmology”

14 novembro 2018
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O exame mais comum utilizado para o diagnóstico do glaucoma pode falhar na avaliação da severidade da doença, ao não detetar a perda da visão central (degeneração macular), indicou um estudo.
 
Conduzido por uma equipa de investigadores liderados por Donal Hood e C. Gustave de Moraes, ambos da Universidade de Columbia, EUA, o estudo apurou que a variação no exame ao campo visual pode detetar melhor a degeneração macular, e o diagnóstico do glaucoma, com apenas 10 minutos adicionais de exame e sem custo acrescido.
 
“Ao procurarem sinais de glaucoma inicial, os médicos tendem a concentrar-se na perda de visão periférica (lateral) e raramente na mácula, a área central da retina – que determina a nossa capacidade de ler, conduzir e ver os rostos dos nossos filhos”, disse Donald Hood.
 
O exame de campo visual é o mais comum para diagnosticar o glaucoma e usa um instrumento para avaliar a visão de cada um dos olhos. O paciente observa um espaço com iluminação ténue, onde piscam pequenas luzes em diferentes áreas do campo de visão. O paciente tem que carregar num botão sempre que vê as luzes e um instrumento grava as que não tenham sido vistas.
 
Para o estudo, a equipa contou com a análise de 57 olhos de 33 pacientes que tinham sido diagnosticados com glaucoma em estado inicial, usando duas medições do campo visual diferentes. 
 
Todos os pacientes foram examinados com o teste visual 24-2 que empregava 54 localizações (luzes projetadas). Seguidamente foram testados com um teste 10-2 que empregava 68 localizações. Adicionalmente, os participantes foram submetidos a uma tomografia de coerência ótica, um exame de imagem de alta resolução análogo à ressonância magnética, para confirmar a presença de degeneração.
 
“(…) Descobrimos que ao usar o campo visual 10-2 mais de 75 por cento dos pacientes diagnosticados com glaucoma inicial apresentavam perda da visão central”, disse Donald Hood. Devido ao facto de os exames convencionais 24-2 frequentemente não detetarem ou subestimarem danos na visão central, a severidade da doença é também subestimada.
 
Os autores concordam que é necessário detetar os danos à visão central pois um diagnóstico e tratamento precoces podem evitar uma maior perda de visão.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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