Estaremos na eminência de uma pandemia de Parkinson?

Estudo publicado na revista “Journal of Parkinson's Disease”

01 fevereiro 2019
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Uma equipa de especialistas debateu e apresentou vários argumentos a favor da emergência de uma pandemia da doença de Parkinson.
 
Os especialistas de instituições académicas na Holanda e EUA discutiram ainda os desafios que são necessários ultrapassar para prevenir e desacelerar esta pandemia.
 
Segundo a equipa, as doenças neurológicas são atualmente a principal causa de incapacidade a nível global. A doença de Parkinson foi até há poucas décadas uma doença rara. 
 
Em 1855, 40 anos após James Parkinson ter descrito a doença, morreram cerca de 22 pessoas em 15 milhões em Inglaterra e País de Gales; em 2014, o número subiu para 5.000 a 10.000 pessoas em 65 milhões. Entre 1990 e 2015, o número de doentes com Parkinson duplicou globalmente, tendo ascendido a mais de seis milhões. 
 
Estima-se que este número duplique de novo em 2040, para 12 milhões. No entanto, argumenta a equipa, para além do envelhecimento, a maior longevidade, a menor taxa de fumadores e os subprodutos da industrialização poderão elevar o número para mais de 17 milhões. 
 
A esperança de vida global aumentou seis anos nos últimos 20 anos. Isto só por si irá provavelmente aumentar o número de casos avançados de Parkinson, que são mais difíceis de tratar. 
 
Vários estudos associaram um risco 40% inferior de Parkinson nos fumadores. Se esta associação for causal, a redução na taxa de fumadores poderá fazer aumentar os casos da doença.
 
Mais, a exposição aos subprodutos da industrialização como certos pesticidas, solventes e metais pesados foram já associados a um aumento na taxa de casos da doença de Parkinson. 
 
“No século passado, a sociedade conseguiu confrontar-se, com sucesso, com pandemias de pólio, cancro da mama e VIH a vários níveis”, comentou Ray Dorsey, autor que liderou o debate, da Faculdade de Medicina da Universidade de Rochester, EUA.
 
Os especialistas concluem que a pandemia de Parkinson “é evitável e não inevitável” e propõem a formação do que eles chamam um “PACT” (iniciais de “prevent, advocate for, care and treat”), que significa literalmente prevenir, advogar, cuidar e tratar. 
 
Para tal, defendem, é necessário perceber as causas da Parkinson a nível genético, ambiental e biológico e desenvolver novos modelos de cuidados e tratamentos, considerando que o tratamento mais eficaz, a levodopa já existe há 50 anos. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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