Estaremos a entrar num “mundo pós-antibióticos”?

Estudo publicado na revista “Environmental Science & Technology”

11 março 2019
  |  Partilhar:
Os produtos resultantes do processo de tratamento das águas residuais contêm vestígios de ADN resistente a antibióticos, descobriu uma equipa de cientistas.
 
Segundo a equipa da Escola de Engenharia Viterbi da Universidade da Califórnia do Sul, EUA, esses produtos são frequentemente reintroduzidos no meio-ambiente e mesmo na água canalizada, resultando na potencial propagação da resistência àqueles fármacos.
 
Os cientistas descobriram ainda que mesmo uma concentração muito reduzida de um único tipo de antibióticos poderá conduzir à resistência a múltiplas classes destes fármacos.
 
Segundo a equipa, que tem vindo a estudar o desenvolvimento daqueles genes potencialmente perigosos em águas residuais, a maioria dos antibióticos que consumimos são metabolizados nos nossos organismos. Contudo, pequenas quantidades escapam-se através dos resíduos expelidos pelo nosso organismo, acabando nas estações de tratamento de águas residuais. 
 
As águas residuais são frequentemente tratadas com um biorreator de membranas que emprega um sistema de filtragem e um processo biológico em que os resíduos são consumidos por bactérias. 
 
Ao consumir os resíduos, as bactérias entram em contacto com os antibióticos e expressam genes de resistência que fazem reduzir a eficácia desses fármacos. Os genes de resistência podem ser passados da célula-mãe para a célula-filha e entre células vizinhas, um processo que é conhecido como transferência horizontal de genes.
 
À medida que as bactérias se reproduzem e crescem, criam um excesso conhecido como biomassa. As estações de tratamento de águas residuais conseguem produzir toneladas de biomassa diariamente que após ser tratada é usada como fertilizante na agricultura, incluindo no cultivo de alimento para o gado, ou depositada em aterros.
 
“Estamos a entrar rapidamente num lugar assustador que se chama ‘mundo pós-antibióticos’, em que já não conseguimos combater infeções com antibióticos porque os micróbios adaptaram-se de forma a serem resilientes contra aqueles antibióticos”, alertou Adam Smith, investigador principal do estudo.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
Partilhar:
Comentários 0 Comentar