Esclerose múltipla: avanço em descobrir causa da doença

Estudo publicado na revista “Immunity”

18 maio 2018
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Uma equipa de investigadores poderá ter encaixado uma peça importante no puzzle que explica o desencadeamento da esclerose múltipla (EM).
 
Num estudo desenvolvido por uma equipa de investigadores da Universidade de Genebra e pelos Hospitais Universitários de Genebra, Suíça, o fator de transcrição do ADN conhecido como TOX poderá estar envolvido no desencadeamento daquela doença autoimune. 
 
Na verdade, as causas da EM têm sido um mistério. Sabe-se que existem fatores genéticos e ambientais relacionados com o desenvolvimento da doença, mas não se sabe porque é que a EM se desencadeia. Não há ainda uma cura e os tratamentos incidem unicamente sobre os sintomas.
 
Os investigadores procuraram, portanto, analisar fatores infeciosos estudando as reações autoimunes provocadas por diferentes agentes patogénicos, de forma a isolar um elemento que pudesse influenciar o desenvolvimento da EM na presença de uma infeção.
 
Para o efeito foram escolhidos um agente patogénico viral e um bacteriano que foram injetados em ratinhos saudáveis. Foi observada uma reação imune idêntica dos linfócitos conhecidos como CD8+ T. No entanto, só os ratinhos infetados com o agente patogénico viral é que desenvolveram doença inflamatória no cérebro semelhante à EM.
 
Com base naqueles resultados, os cientistas analisaram a variabilidade da expressão genética nas células CD8+ T, segundo o agente patogénico utilizado na sua ativação. A equipa identificou assim o fator de transcrição de ADN conhecido como TOX, expressado apenas nas células ativadas pelo agente patogénico viral.
 
“Descobrimos que o ambiente de inflamação influencia a expressão do TOX nos linfócitos T e que pode desempenhar um papel no desencadeamento da doença”, avançou Nicolas Page, um dos investigadores.
 
A equipa validou a ligação entre o TOX e a EM em ratinhos saudáveis, através da eliminação da expressão do TOX nos linfócitos CD8+ T. Como resultado, apesar de terem recebido o agente patogénico viral, os roedores não desenvolveram a doença.
 
Então como é que o TOX contribui para o desencadeamento da EM? O cérebro tem uma capacidade regeneradora limitada e por esse motivo tem que se proteger contra as reações imunes do organismo, as quais podem destruir as suas células ao combater vírus. Isto cria danos irreversíveis. Por isso, o cérebro cria barreiras que bloqueiam a passagem dos linfócitos T. 
 
No entanto, ao alterar a expressão de alguns dos recetores na superfície dos linfócitos CD8+ T responsáveis por receberem os sinais bloqueadores enviados pelo cérebro, o TOX permite que as células cruzem as barreiras e ataquem as células cerebrais, conduzindo à EM. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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