Doentes desnutridos devem ter acompanhamento pós-internamento

Muitos doentes voltam ao hospital nas mesmas condições

03 setembro 2019
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O presidente da Associação Portuguesa de Nutrição Entérica e Parentérica (APNEP) alertou para a necessidade de acompanhar os doentes desnutridos quando têm alta hospitalar para evitar que regressem em pior estado clínico e acabem por morrer no hospital.
 
Aníbal Marinho advertiu também para a falta de nutricionistas a trabalhar nos hospitais e nos centros de saúde, a escassa informação sobre nutrição nos serviços de saúde e “poucos médicos interessados nesta área” porque “também não se criou a necessidade de formar pessoas para tratar este problema”.
 
Dados da APNEP estimam que anualmente mais de 115 mil doentes em risco nutricional ou malnutridos precisam de apoio nutricional com recurso a nutrição clínica (entérica e parentérica).
 
“Se não fizermos alguma coisa, estes doentes vão acabar por voltar ao hospital em pior estado clínico do que estavam e vai ser um círculo vicioso até que acabam por falecer nos hospitais”, disse à agência Lusa o presidente da associação.
 
O Ministério da Saúde implementou há um mês em todos os hospitais públicos uma ferramenta para avaliar o risco nutricional dos doentes internados.
 
Os dados que existem são de um estudo feito recentemente em enfermarias de Medicina Interna de 22 hospitais que aponta que dois em cada quatro doentes estão em risco de malnutrição, quando a média europeia é de um em cada três.
 
O médico intervencionista na Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital de Santo António, no Porto, alertou ainda para a necessidade de um sistema de referenciação para garantir o acompanhamento destes doentes quando deixam o hospital.
 
A associação estima que a malnutrição custe anualmente ao Estado cerca de 255 milhões de euros, defendendo que a sua erradicação resultaria numa poupança anual superior a 166 milhões de euros.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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