Desenvolvida técnica com potencial para tratar leucemia

Estudo conduzido com a colaboração da Universidade de Coimbra

26 fevereiro 2019
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O Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC) integra um projeto internacional que conseguiu converter células da pele em células do sangue, descoberta com potencial no tratamento de doenças como a leucemia, revelou a agência Lusa.
 
Além do CNC-UC, o projeto de investigação conjunta conta ainda com institutos dos EUA (Escola de Medicina Icahn no Monte Sinai), da Suécia (Centro Wallenberg de Medicina Molecular) e da Rússia (Instituto de Ciência e Tecnologia Skolkovo).
 
"A descoberta poderá ter um grande potencial na medicina personalizada (com produtos adaptados para o organismo de cada ser humano) para tratamento de doenças como a leucemia", garante o CNC-UC.
 
No artigo publicado na revista Cell Reports é demonstrada a reprogramação direta de células humanas da pele em células estaminais hematopoiéticas.
 
"Estas células estaminais são as principais precursoras dos componentes do sistema sanguíneo, formando-se num processo designado de hemogénese. Este processo foi alcançado em laboratório com a utilização de três proteínas (GATA2, FOS e GFI1B)", explica o CNC-UC.
 
Filipe Pereira, investigador do CNC-UC e coordenador do projeto, refere que "o estudo é o primeiro a demonstrar a reprogramação direta em células hematopoiéticas humanas", que poderá ser um primeiro passo no caminho de conseguir gerar no laboratório células estaminais sanguíneas perfeitamente funcionais.
 
"No futuro, estas células reprogramadas poderão ser transplantadas em doentes com doenças no sangue", explica Filipe Pereira, adiantando que "é extremamente interessante que apenas três proteínas consigam causar uma mudança tão drástica e que sejam conservadas evolutivamente entre ratinhos e humanos".
 
Segundo o CNC-UC, o estudo demonstrou que a GATA2 lidera esta combinação de três proteínas, uma vez que recruta as restantes duas para ativar o processo de hemogénese e "desligar" o programa normal das células da pele.
 
Estes mecanismos foram testados em ratinhos, e, após um período de três meses, comprovou-se que as células convertidas contribuem para a formação de novo sangue humano nestas cobaias.
 
"Após o transplante das células hematopoiéticas estaminais em ratinhos ter sido bem-sucedido, o próximo passo será aumentar a eficiência e a qualidade das células enxertadas para que contribuam para a formação de sangue durante maiores períodos de tempo", acrescenta o coordenador do estudo.
 
Os investigadores pretendem "tornar este processo uma realidade na medicina personalizada, em doenças do sangue como a leucemia".
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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