Descobertas proteínas que convertem células da pele em sentinelas do sistema imunitário

Estudo publicado na “Science Immunology”

12 dezembro 2018
  |  Partilhar:
Investigadores descobriram três proteínas que convertem células da pele em células que funcionam como sentinelas do sistema imunitário, uma investigação que pode abrir novas perspetivas na imunoterapia contra o cancro, anunciou a agência Lusa.
 
O estudo, liderado por um grupo de investigação do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra (UC), apostou no potencial da reprogramação celular para, pela primeira vez, controlar as respostas do sistema imunitário.
 
Foram descobertas três proteínas (PU.1, IRF8 e BATF3) capazes de converter células da pele em células dendríticas (CD), conhecidas como as sentinelas do sistema imunitário, porque são capazes de procurar e capturar agentes patogénicos e células cancerígenas.
 
"A investigação demonstrou que as células dendríticas induzidas [com uso das proteínas] apresentam uma notável semelhança com as CD naturais do organismo", descreve Filipe Pereira, coordenador do estudo. 
 
O investigador acrescenta que as células obtidas capturam os elementos estranhos, digerindo-os em pequenos pedaços conhecidos como antigénios.
 
"Este processo de vigilância e captura permite ensinar às células T (os soldados do nosso sistema imunitário) quais são os agentes perigosos e como podem ser atacados", descreve.
 
Esta investigação pode dar origem a novas estratégias de imunoterapia para o tratamento do cancro, vaticinam os investigadores, lembrando a técnica galardoada este ano com o Prémio Nobel da Medicina/Fisiologia, na qual os componentes do sistema imunitário do próprio doente são utilizados para direcionar um ataque às células cancerígenas.
 
"Usando células reprogramadas, a probabilidade de rejeição do organismo será menor, por estas serem geradas a partir das células da pele do próprio paciente", descrevem.
 
Na sequência destes resultados, a equipa pretende averiguar quais são os mecanismos genéticos através dos quais as três proteínas identificadas impõem a identidade celular de uma célula dendrítica. A investigação irá ainda utilizar este método de reprogramação celular para perceber como outros tipos de CD, com funções especializadas, são geradas.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Partilhar:
Comentários 0 Comentar