Criado novo método que permite uma observação prolongada das células

Estudo da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto

12 abril 2019
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Um grupo de investigadores portugueses desenvolveu um "novo método de diagnóstico celular" que, através de um laser "ultrarrápido", permite uma observação mais longa e em profundidade das células em imagens biomédicas, revelou o responsável da Universidade do Porto.
 
Em entrevista à agência Lusa, Hélder Crespo, investigador e docente da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), contou que o "novo método" surgiu da necessidade de criar um laser que não "matasse" as células e que permitisse produzir imagens biomédicas de melhor resolução.
 
O estudo estava a ser desenvolvido há mais de um ano por investigadores do Departamento de Física e Astronomia da FCUP, da “spin-off” Sphere Ultrafast Photonics e do INL - Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia, em Braga.
 
Com o objetivo de produzir imagens clínicas "facilmente observáveis" durante um período de tempo mais alargado, a equipa desenvolveu um laser que, com um "espetro extremamente largo" e um flash "muito rápido", permite "excitar" as células e fazê-las emitir sinais.
 
"Conseguimos fazer isso de forma eficiente e rápida, sem matar as células, com o laser a incidir na amostra”, disse, adiantando que essa incidência “faz com que as diferentes partes da célula emitam, ao mesmo tempo, a sua luz, cujas cores são diferentes".
 
À Lusa, a coautora do estudo Rosa Romero, acrescentou que através da emissão destes sinais, "qualquer célula pode ser vista dinamicamente" durante vários dias, sem que seja "danificada".
 
"Conseguimos ter imagens durante vários dias da mesma célula e perceber como é que, por exemplo, uma célula cancerígena vai evoluindo ou reage ao tratamento", frisou a presidente da Sphere Ultrafast Photonics.
 
Os investigadores, que já validaram a técnica recorrendo a células suínas e, consequentemente provaram a sua "eficiência", encontram-se agora a aplicar o método desenvolvido a um sistema "de grande relevância no contexto da terapia do cancro", onde acreditam que o "impacto vai ser forte" entre a comunidade biomédica.
 
"É uma ferramenta que vai permitir aferir o comportamento de um método, porque muitas vezes ouvimos falar em efeitos secundários que só se conhecem a longo prazo. Aqui temos uma técnica que permite efetivamente ver como é que um tratamento funciona nomeadamente em termos presenciais e efeitos secundários ao nível celular", concluiu.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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