Conhecimento sobre VIH não trava comportamentos de risco

Estudo conduzido pela Universidade do Porto e Instituto Universitário de Lisboa

23 junho 2017
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O conhecimento sobre a infeção por VIH e a escolarização não evitam comportamentos de risco nos homens que praticam sexo com homens e a confiança relativamente aos progressos médicos conduziu a menos prevenção, concluiu um estudo divulgado pela agência Lusa.
 
“Ainda é expressivo o uso irregular do preservativo e não foram sinalizadas diferenças significativas entre o conhecimento e as práticas de risco”, revela a investigação coordenada por Isabel Dias, do Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP).
 
Para a investigadora, na base “de um certo relaxamento dos comportamentos preventivos” está a “sensação de confiança no futuro clínico e nos progressos médicos”, que conferiu à infeção por VIH uma representação de “cronicidade”, retirando-lhe “a carga negativa associada a doenças terminais”.
 
O estudo, feito em parceria com o Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa, trabalhou com uma amostra de 671 homens seguidos nos principais hospitais do país, 64,1% dos quais com “idades entre os 18 e os 44 anos”.
 
Entre os inquiridos, 26,1% não usa preservativo, 39,7% usa, mas “de forma irregular” quando se relaciona com parceiros estáveis, ao passo que 25,6% tem a mesma atitude com parceiros ocasionais.
 
Isabel Dias destacou a “resiliente proporção de indivíduos que não usa sempre preservativo”, algo que “é mais prevalente nos casos de relações sexuais anais entre parceiros estáveis”.
 
A coordenadora da investigação notou ainda que o nível de conhecimento sobre o risco de transmissão e sobre os comportamentos preventivos dos inquiridos é “genericamente elevado” e que isso não se traduz em “diferenças relativamente aos comportamentos de risco”.
 
Entre os inquiridos, 33,4% tinham o ensino superior e 38,7% o ensino secundário, sendo que 45% se manifestou “muito bem informado” sobre o risco de infeção e atitudes preventivas, ao passo que 28% indicou estar “razoavelmente informado”.
 
Para a esmagadora maioria (92%) dos infetados, a transmissão deu-se por via sexual e mais de metade (53%) fez o teste de deteção do VIH “por iniciativa própria”.
 
A investigação concluiu que “um em cada três inquiridos se envolve com parceiros” sem conhecer o seu estatuto serológico (estado da infeção por VIH).
 
As redes sociais foram usadas por cerca de metade dos inquiridos (46%) para encontrar um parceiro sexual, sendo que 60% dizem fazê-lo para “encontrar um parceiro ocasional”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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