Cheirar os nossos alimentos faz-nos engordar

Estudo publicado na revista “Cell Metabolism”

10 julho 2017
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O facto de termos o nosso olfato normal ou de o perdermos para cheirar a nossa comida influencia o nosso peso, indica um novo estudo.
 
Conduzido por uma equipa de investigadores do Complexo Médico Cedars-Sinai em Los Angeles, EUA, o estudo foi baseado em ratinhos e os resultados demonstraram que a perda do olfato desempenha um papel no tamanho da nossa cintura e que poderá estar na base de uma possível intervenção, tanto para quem o perdeu como para quem tem problemas de excesso de peso. 
 
“Este artigo é um dos primeiros estudos que realmente demonstram que se manipularmos os estímulos olfativos podemos efetivamente alterar a forma como o cérebro perceciona o equilíbrio energético e como o cérebro regula o equilíbrio energético”, explicou Céline Riera, investigadora neste estudo.
 
Para o estudo, os investigadores destruíram os neurónios do olfato nos narizes de ratinhos, mas deixaram células estaminais para que os roedores recuperassem o sentido do olfato no espaço de cerca de três semanas.
 
Foi observado que os ratinhos sem olfato rapidamente queimaram calorias através da regulação do seu sistema nervoso simpático, o qual faz aumentar a queima de gordura. A gordura branca nestes ratinhos, que está associada a problemas de saúde, diminuiu também de tamanho.
 
Em ratinhos obesos que tinham desenvolvido intolerância à glicose e estavam a consumir uma dieta rica em gordura, foi observada perda de peso e a recuperação da tolerância normal à glicose. 
 
No entanto, foi verificado também um aumento nos níveis da hormona noradrenalina, que é uma resposta ao stress ligada ao sistema nervoso simpático. Nos humanos, o aumento desta hormona poderá provocar um ataque do miocárdio.
 
Num grupo de ratinhos com o olfato extremamente apurado, foi observado que os roedores aumentaram mais de peso com uma dieta regular em comparação com ratinhos normais. 
 
Os resultados do estudo sugerem que existe uma importante ligação entre o olfato e as regiões do cérebro que regulam o metabolismo, especialmente o hipotálamo. A manipulação do olfato poderá assim constituir uma potencial via de regulação do peso em humanos.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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