Cérebro de criança remapeia-se após transplante das mãos

Estudo publicado na revista “Annals of Clinical and Translational Neurology”

11 dezembro 2017
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A primeira criança submetida a um transplante de ambas as mãos bem-sucedido foi também a primeira a manifestar alterações substanciais na representação das sensações das mãos no cérebro.
 
Em 2015, uma equipa de 40 especialistas, do Hospital Pediátrico da Filadélfia e da Faculdade de Medicina Perelman da Universidade da Pensilvânia, EUA, liderada por L- Scott Levin, efetuou o transplante a Zion Harvey, atualmente com 10 anos de idade, e que ficará na história.
 
Seis anos antes do transplante, a criança tinha tido ambas as mãos amputadas devido a uma infeção muito grave. Os investigadores pensam que a reorganização do cérebro começou nessa altura.
 
“O Zion tem sido uma criança de muitas primeiras vezes aqui na Medicina da Penn e no Hospital Pediátrico da Filadélfia e no mundo”, disse o autor principal do estudo.
 
“Com as alterações observadas no seu cérebro, que a nossa equipa colaborativa tem vindo a avaliar de perto desde o seu transplante há dois atrás, o Zion é agora a primeira criança a exibir uma reorientação no mapeamento do cérebro. Isto é um marco gigantesco, não só para a nossa equipa e investigação, mas também para o próprio Zion” acrescentou. 
 
A avaliação das respostas do pequeno paciente a estímulos sensoriais nos lábios e dedos foi feita através de magnetoencefalografia (MEG), um exame que mede a atividade magnética no cérebro, e deteta o local, tempo e força dos sinais nas respostas do paciente.
 
A equipa efetuou MEG quatro vezes, no ano a seguir ao transplante, assim como a cinco crianças saudáveis da mesma idade de Zion, e que serviram com controlos.
 
Foi observado que nos primeiros dois exames as pontas dos dedos não responderam a um estímulo táctil. O toque nos lábios foi registado pelo MEG como sendo na área do córtex cerebral, mas com um atraso de 20 milissegundos em comparação com os controlos. 
 
Nas duas visitas seguintes os sinais registados pela MEG do estímulo dado aos lábios tinha voltado para a região do cérebro dos lábios e com um tempo de resposta normal. Os sinais cerebrais para o estímulo das pontas dos dedos apareceram também e na região das mãos, com um pequeno atraso no tempo de resposta, mas com uma força de sinal mais forte do que o normal. A equipa espera que com o tempo. As respostas sensoriais se tornem mais típicas da idade do Zion.
 
Estes resultados levantaram muitas questões e geraram um grande entusiasmo relativamente à plasticidade do cérebro, particularmente nas crianças. Entretanto, 18 meses após a operação, o pequeno Zion já conseguia vestir-se, escrever e alimentar-se de forma mais independente do que antes da mesma. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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