Centros de saúde deveriam estar sempre abertos até às 22 horas

Defende a Ordem dos Médicos

17 janeiro 2017
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Os centros de saúde deviam estar abertos durante a semana até às 22:00 e abrir também ao sábado, defende a Ordem dos Médicos, que sugere que o investimento na Linha Saúde 24 seja transferido para os cuidados de saúde primários.
 

“Se os centros de saúde só estão abertos no horário de expediente estão, portanto, abertos para reformados e desempregados. Os outros cidadãos que têm direito a aceder aos centros de saúde sem necessidade de faltar ao trabalho têm muitas dificuldades de acessibilidade”, disse à agência Lusa o bastonário da Ordem dos Médicos.
 

De acordo com José Manuel Silva, o alargamento do horário dos centros de saúde é imprescindível para desobstruir as urgências hospitalares e para criar o hábito nos cidadãos de recorrerem ao médico e ao enfermeiro de família.
 

Neste período de maior incidência de gripe, o bastonário refere que, mesmo na zona Norte, se sente o aumento de procura de urgências dos hospitais quando é uma região que tem uma cobertura de quase 100% ao nível dos cuidados de saúde primários.
 

José Manuel Silva defende assim que há que criar uma cultura de procura dos centros de saúde, em vez de “se cair na demagogia” de culpar os doentes por irem às urgências.
 

“As pessoas não são estúpidas. Se vão à urgência e estão lá seis horas, não vão fazer turismo. Se vão à procura de uma resposta é porque não têm uma resposta melhor a outro nível. Enquanto culpamos os doentes não implementamos soluções”, comentou.
 

Considera ainda que deve haver uma política que faça com que as pessoas procurem os centros de saúde também através do telefone.
 

“Os enfermeiros e os médicos de família podem aconselhar com muito mais propriedade e qualidade do que um telefone que atende as pessoas com um algoritmo rígido”, disse, em referência ao atendimento da Linha Saúde 24, serviço sobre o qual o bastonário tem contestado a perpetuação.
 

Confrontado com a realidade de que muitas vezes há centros de saúde em que a demora a atender telefones é significativa, José Manuel Silva volta a lançar argumentos contra a Linha Saúde 24.

 

“[Os centros de saúde não atendem] Porque têm falta de meios? Se têm, o investimento na Linha Saúde 24 deve ser feito nos cuidados de saúde primários. O doente é mais bem atendido pelo seu médico ou enfermeiro de família”, insistiu.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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