Células do nariz podem reparar danos na cartilagem do joelho?

Estudo publicado na revista “The Lancet”

25 outubro 2016
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Médicos suíços utilizaram células da cartilagem retiradas do nariz de pacientes para produzir com sucesso transplantes de cartilagem para tratar os joelhos de indivíduos com danos na cartilagem, dá conta um estudo publicado na revista “The Lancet”.
 
Os investigadores do Hospital Universitário de Basileia, na Suíça, constataram que após a reconstrução, a maioria dos recetores apresentavam melhorias na dor, função do joelho e qualidade de vida. A composição do tecido de reparação desenvolvido também foi muito semelhante à cartilagem nativa.
 
Anualmente, cerca de dois milhões de indivíduos na Europa e nos EUA são diagnosticados com danos na cartilagem articular devido a lesões ou acidentes. A cartilagem articular compreende o tecido no extremo de um osso que amortece a superfície da articulação e é vital para o movimento sem dor. Uma vez que o tecido não tem a sua própria fonte de sangue, tem uma capacidade limitada de se reparar, conduzindo assim a condições articulares degenerativas, como a osteoartrite.
 
Os métodos tradicionais para prevenir ou retardar o início da degeneração da cartilagem resultante da ocorrência de acontecimentos traumáticos, como a cirurgia de microfratura, não produzem uma cartilagem saudável, necessária para suportar as forças do movimento diário. Mesmo os novos avanços médicos que utilizam as próprias células da cartilagem articular dos pacientes (condrócitos) não foram capazes de restaurar a estrutura e função da cartilagem a longo prazo. 
 
Uma vez que a população está a envelhecer e a longevidade está a aumentar, há uma grande e urgente necessidade de desenvolver uma terapia eficaz para reparar danos na cartilagem.
 
Foi neste contexto que os investigadores suíços analisaram uma abordagem alternativa que utiliza tecido da cartilagem modificado resultante do crescimento das células de cartilagem do próprio paciente, retiradas do septo nasal. Estas células têm a capacidade única de crescerem e formarem novo tecido da cartilagem. 
 
Para o estudo foi extraída uma pequena amostra do septo nasal, através de um procedimento minimamente invasivo. As células recolhidas foram multiplicadas através da exposição a fatores de crescimento durante duas semanas. 
 
Estas células foram posteriormente semeadas em membranas de colagénio, cultivadas ao longo de mais de duas semanas, o que deu origem a um enxerto de cartilagem de 30 por 40 milímetros. O enxerto foi posteriormente utilizado para substituir a cartilagem danificada, que foi cirurgicamente removida do paciente. 
 
Dois anos após este procedimento, as ressonâncias magnéticas revelaram que o novo tecido era muito similar à cartilagem nativa. Nove dos pacientes apresentaram melhorias na utilização do joelho e na quantidade de dor, comparativamente com o que ocorria antes da cirurgia. 
 
Apesar de estes resultados serem muito prometedores, uma vez que o estudo contou apenas com a participação de 10 pacientes, a eficácia do procedimento necessita de ser rigorosamente avaliada num estudo de maior dimensão e comparada com os tratamentos atuais. Adicionalmente, é necessário um maior período de acompanhamento antes de serem tiradas conclusões sobre a sua utilização na prática clínica. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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