CEB da UMinho desenvolve fagos para tratamento contra infeções

Países da Europa como Alemanha e França já utilizam este tratamento

31 outubro 2019
  |  Partilhar:
O Centro de Engenharia Biológica (CEB) da Universidade do Minho está a desenvolver um "novo tipo de fagos sintéticos" (vírus capazes de matar bactérias) para tratar infeções provocadas por organismos resistentes aos antibióticos.
 
Em comunicado enviado à Lusa, o CEB explica que a utilização em terapia daqueles bacteriófagos, "que apresentam um melhor desempenho", vão agora ser testados em laboratórios para depois poderem ser utilizados na "chamada terapia fágica".
 
Segundo explica o texto, aquele tipo de organismos tem "apresentando uma resposta promissora para um dos maiores problemas de saúde mundial – a resistência das bactérias aos antibióticos – e uma forma alternativa de tratamento, sobretudo em casos muito graves, incuráveis ou com risco de vida".
 
"No caso de Portugal, no entanto, este tipo de terapia ainda não está a ser utilizada no tratamento de doentes", aponta.
 
A investigação que está a ser desenvolvida "poderá também ser útil no tratamento de feridas crónicas, infeções sistémicas e urinárias".
 
O CEB acrescenta ainda que "embora estudos 'in vivo' apontem para a inocuidade dos fagos, uma grande percentagem da informação genética que codificam é desconhecida e, por isso, levanta questões relativas à segurança".
 
Os fagos geneticamente modificados que o CEB está a desenvolver "têm quase a totalidade do genoma conhecido", sendo, por isso, "possível garantir uma maior segurança".
 
Portugal é o quarto país da Europa que apresenta as mais altas taxas de mortalidade por infeções causadas por bactérias resistentes a antibióticos.
 
A utilização excessiva de antibióticos leva à eliminação das estirpes mais sensíveis e, consequentemente, à seleção das mais resistentes, que sobrevivem na presença do antibiótico e continuam a multiplicar-se, causando uma doença mais prolongada ao paciente ou, mesmo, levá-lo à morte.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Partilhar:
Comentários 0 Comentar