Cancro do colo do útero: identificado novo subtipo

Estudo publicado na revista “Oncotarget”

13 janeiro 2017
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Investigadores americanos identificaram um novo subtipo de cancro do colo do útero, que tal como a maioria dos cancros do colo do útero é desencadeado pelo vírus de papiloma humano (VPH), mas o crescimento não é ditado pelo vírus, dá conta um estudo publicado na revista “Oncotarget”.
 

As pacientes com cancro do colo do útero são habitualmente tratadas, como um grupo uniforme, com regimes radioterapêuticos e quimioterapêuticos. Contudo, para um terço destas pacientes estas terapias não têm efeito.
 

No estudo os investigadores da Universidade de Colorado, nos EUA, descobriram a existência de um subgrupo de cancros do colo do útero com muitas características genéticas diferentes. Estas mulheres poderão beneficiar de tratamentos alternativos que não são habitualmente administrados às pacientes com cancro do colo do útero
 

Após terem analisado 255 amostras do cancro do colo do útero, os investigadores, liderados por Phillip Buckhaults, constataram que dois oncogenes do VPH apesar de serem necessários para o crescimento do cancro do colo do útero eram expressos em níveis elevados (VPH- classe ativa) ou baixos ou nulos (VPH- classe inativa) neste tipo de cancro.
 

Para além das diferenças nos níveis de expressão, o estudo apurou que existiam mais diferenças entre a classe inativa e ativa. Verificou-se que existiam diferenças significativas na média de idades do diagnóstico (54 anos versus 45), na média da sobrevivência (715 dias versus 3.046), metilação do ADN e perfil de expressão genética, bem como na distribuição do tipo de célula tumoral, sendo adenocarcinomas mais comuns nos tumores VPH inativo do que ativo.
 

Os cientistas também analisaram as frequências de mutação somática de todos os genes humanos. Verificou-se que 19 genes impulsionadores do cancro apresentaram taxas de mutação significativamente maiores na classe VPH-inativa do que na classe ativa. Estas diferenças sugerem que estes genes mutantes substituem funções normalmente fornecidas pelos oncogenes do VPH na regulação do crescimento de células tumorais.
 

Carolyn Banister, uma das autoras do estudo, defende que os médicos que acompanham as pacientes com cancro do colo do útero deveriam testar a expressão dos oncogenes do VPH e considerar tratamentos personalizados com base na atividade do VPH.
 

A investigadora acrescentou que os tumores VPH ativos como têm uma expressão elevada de genes imunorreguladores podem responder melhor a tratamento com inibidores do checkpoint imunológico. Por outro lado, como os tumores VPH inativos apresentam frequentemente mutações na via PIK3CA / PTEN / AKT, os inibidores da cinase AKT podem ser uma opção de tratamento mais eficaz para este tipo de pacientes.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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