Bactérias intestinais de bebés saudáveis poderão bloquear a alergia ao leite

Estudo publicado na revista “Nature Medicine”

18 janeiro 2019
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O microbioma intestinal poderá ajudar a evitar o desenvolvimento da alergia ao leite de vaca, indicou um novo estudo.
 
Anteriormente, tinha sido descoberto que os bebés alérgicos ao leite de vaca apresentavam uma composição diferente no seu microbioma intestinal relativamente à do microbioma dos bebés não alérgicos. Tinha ainda sido observado que algumas bactérias estão associadas a um menor risco de se desenvolver alergias alimentares.
 
Uma equipa de investigadores da Universidade de Chicago, EUA, propôs-se assim analisar melhor aquela questão, procurando determinar se o microbioma intestinal dos bebés sem alergia ao leite poderia prevenir ou tratar alergias alimentares.
 
Para a sua investigação, a equipa transplantou bactérias intestinais doadas por oito bebés, para grupos de ratinhos que tinham sido criados num ambiente estéril e apresentavam sensibilidade às proteínas do leite. Por outras palavras, o sistema imunitário dos roedores criava anticorpos alérgicos ao leite na presença daquele alimento.
 
Quando foram expostos ao leite, os ratinhos que não tinham recebido micróbios ou que tinham recebido micróbios de bebés alérgicos a leite, produziram anticorpos alérgicos e desenvolveram anafilaxia, uma reação alérgica bastante perigosa que pode inclusivamente ser fatal.
 
Por outro lado, os ratinhos que receberam bactérias intestinais de bebés que não eram alérgicos ao leite, não apresentaram reação alérgica.
 
Ao analisarem amostras fecais dos bebés, os investigadores encontraram muitas diferenças, em termos de bactérias, entre os que eram alérgicos ao leite e os que não eram. Os ratinhos que tinham recebido transplantes de bactérias de bebés não-alérgicos apresentavam bactérias que protegem contra o desenvolvimento de alergias alimentares. 
 
Foi identificada uma bactéria em particular, conhecida como Anaerostipes caccae, que preveniu o desenvolvimento da alergia ao leite quando foi transplantada isoladamente nos ratinhos.
 
Os investigadores observaram que os ratinhos que tinham recebido bactérias de bebés não-alérgicos expressavam diferentes genes dos que não tinham, o que sugere que as bactérias que residem nos intestinos têm um impacto sobre o sistema imunitário.   
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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