Bactéria em forma de suplemento combate síndrome metabólica

Estudo publicado na revista “Nature Medicine”

05 julho 2019
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Uma equipa de investigadores confirmou em humanos que uma bactéria pode fazer melhorar os marcadores metabólicos em pessoas com pré-diabetes e risco cardiovascular.
 
Patrice Cani, investigador da Universidade Católica da Lovaina, Bélgica, tinha descoberto em 2007 que a bactéria intestinal conhecida como Akkermansia muciniphila possuía a capacidade de retardar o desenvolvimento da obesidade e da diabetes de tipo 2 em ratinhos.
 
Em 2017, a mesma equipa descobriu, ainda em ratinhos, que uma forma pasteurizada da Akkermansia proporcionava uma proteção ainda maior de fatores de risco cardiovasculares como resistência à insulina, hipercolesterolémia ou armazenamento de gordura, do que a bactéria viva.
 
No presente estudo, a equipa, em colaboração com as Cínicas Universitárias Saint-Luc, em Bruxelas, administrou a bactéria em humanos. 
 
Foram recrutados 40 voluntários com excesso de peso ou obesos e com resistência à insulina (pré-diabetes) e síndrome metabólica.
 
Os voluntários foram aleatoriamente divididos em três grupos. Um grupo recebeu a bactéria Akkermansia muciniphila viva, outro grupo uma forma pasteurizada da bactéria e um terceiro grupo, o de controlo, recebeu um placebo. A bactéria foi oferecida em forma de suplemento alimentar. 
 
Foi pedido aos participantes que não alterassem os seus hábitos alimentares e atividade física. O ensaio teve a duração de três meses.
 
Os resultados confirmaram o que já tinha sido observado em ratinhos. A ingestão da bactéria pasteurizada evitou a deterioração da pré-diabetes e riscos cardiovasculares. Foi inclusivamente observada uma redução nos marcadores inflamatórios do fígado, no peso corporal dos participantes (uma média de 2,3 kg) e nos índices de colesterol.
 
No grupo do placebo, os parâmetros metabólicos continuaram a deteriorar-se ao longo do tempo.
 
Se os achados forem confirmados num estudo de grandes dimensões, a bactéria Akkermansia poderá ser comercializada como suplemento alimentar já em 2021. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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