As bactérias na urina nem sempre indicam infeção

Estudo publicado na revista “Clinical Infectious Diseases”

29 março 2019
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Os médicos deverão ter alguma cautela antes de prescreverem análises a pacientes para detetar uma possível infeção do trato urinário, pois poderá produzir diagnósticos exagerados e tratamentos desnecessários com antibióticos, defendem especialistas.
 
Segundo uma atualização das diretrizes para a bacteriúria assintomática, emitida pela Sociedade das Doenças Infeciosas da América (Infectious Diseases Society of America), os médicos devem estudar várias hipóteses antes de optarem por análises à urina por suspeita de infeção do trato urinário.
 
A bacteriúria assintomática consiste na presença de bactérias na urina sem sintomas de infeção e é bastante comum. Porém, contribui para o uso indevido de antibióticos, o que promove a resistência.
 
As diretrizes atualizadas seguem as recomendações das anteriores, de evitar análises em determinados grupos de pacientes assintomáticos (rastreios), incluindo idosos, mulheres saudáveis que não estejam grávidas, diabéticos e pacientes com lesões da medula-espinhal. 
 
Foram incluídos na atualização novos grupos como: bebés e crianças, pacientes submetidos a cirurgia de substituição de articulações e outras intervenções cirúrgicas não-urológicas e pacientes que tenham recebido transplante de órgãos.
 
Lindsay Nicolle, presidente do comité que atualizou as diretrizes, indicou que “é demasiado comum fazer rastreios àqueles pacientes, levando à prescrição inapropriada de antibióticos, algo que alguns estudos sugerem que pode aumentar o risco de ITU [infeção do trato-urinário], assim como contribuir para outras infeções graves como Clostridioides difficile”.
 
“De forma geral, os médicos não devem obter culturas de urina exceto se os pacientes tiverem sintomas consistentes com uma infeção, como ardor ao urinar, urinar frequentemente ou dor abdominal ou sensibilidade dorsal ou na parte inferior das costelas”, recomendou.
 
A especialista lembrou ainda que há sintomas que são interpretados como correspondendo a uma ITU, como alteração no odor da urina e confusão nos idosos, sintomas estes normalmente causados por outros problemas. Nestes casos deve-se primeiro verificar a presença desses problemas antes de se passar a análises à urina. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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