Setúbal, Alcácer do Sal e Norte Litoral são as zonas mais afectadas
Os rios portugueses estão doentes e o ar também não «anda» bem. A Península da Setúbal/Alcácer do Sal e o Norte Litoral são as zonas onde a concentração de determinados poluentes é maior. A análise por aglomerado que faz parte do Relatório do Estado do Ambiente 2001, disponível na Internet dá conta da superação dos valores-limite para 2005 em Braga, Porto Litoral e na Área Metropolitana de Lisboa, Norte e Sul.
Sobre a avaliação preliminar da qualidade do ar, para protecção da saúde humana naquelas zonas, pode ler-se que os poluentes com níveis de concentração superiores são as partículas em suspensão PM10 e o NO2.
Segundo explicou ao Correio da Manhã o pneumologista e director do Hospital do Barreiro Telles de Araújo, as partículas PM10 representam perigo porque, devido à sua pequenez, (diâmetro inferior a 10 micra) penetram mais profundamente até aos alvéolos pulmonares, ressalvando, contudo, que a concentração excessiva daquelas pode ser momentânea, por exemplo quando muitos automóveis estão em fila. Quanto ao dióxido de azoto (NO2), associado ao tráfego automóvel, sublinhou-lhe a agressividade para o sistema pulmonar.
Rios
A qualidade da água dos rios frequentemente preocupante é resultado de apenas metade da população ser servida por sistemas de drenagem e tratamento de esgotos. Ou seja, os que são produzidos pela outra metade vão directamente para o rio.
Sobre a insuficiência dos sistemas de tratamento de águas residuais, pode ler-se no mesmo relatório que a percentagem de população servida, 50 por cento em 2000, ainda está bastante aquém da meta definida no III Quadro Comunitário de Apoio, para 2006, que é de 90 por cento.
O aumento da concentração de nitratos (considerados cancerígenos) nos rios, constatada naquele documento, fica a dever-se, em parte, à descarga de águas residuais sem tratamento prévio e também ao facto de os fertilizantes azotados serem os mais utilizados na agricultura.
Transportes, energia e litoralização
O sector dos transportes foi responsável por 55 por cento das emissões totais nacionais de monóxido de carbono, 44 por cento do óxido de azoto e 22 por cento do dióxido de carbono. Além de contribuírem para o efeito de estufa, tais substâncias justificam a poluição atmosférica a nível local e regional. Se perguntarmos a que se deve o peso dos transportes no total das emissões, basta notar que a taxa de utilização do automóvel duplicou entre 1990 e 2000.
Cerca de 90 por cento da energia consumida em Portugal é importada. País pobre em recursos energéticos de origem fóssil, a dependência é quase total dada a fraca exploração das Fontes Renováveis de Energia (FRE ). Aqui o lugar prioritário é das grandes hídricas, com 93 por cento em 2000 (depende do ano hidrológico). A mini-hídrica foi responsável por 5 por cento da energia eléctrica produzida a partir das FRE, a eólica por 1,5 e a geotérmica por 0,7.
Excepções
O Relatório assinala a continuidade da "movida" para o Litoral um fenómeno associado a perda de qualidade de vida à custa do Interior. Mas há excepções: Chaves, Bragança, Vila Real, Viseu, Guarda, Covilhã, Castelo Branco e Évora contrariam a regra. Crescem. No capítulo sobre Ordenamento do Território, nota-se ainda que o turismo, ao contrário, do que por vezes se pretende veicular, exerce pressões sobre os "habitats" e compete por recursos escassos, como a água.
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