A obesidade pode causar múltiplas doenças graves?

Estudo publicado na “Lancet Digital Health”

06 agosto 2019
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Um novo estudo proporcionou a evidência mais forte até à data sobre uma relação causal entre a obesidade e uma ampla série de doenças graves, incluindo cancro, diabetes, doenças cardiovasculares e problemas respiratórios, neurológicos e músculo-esqueléticos.
 
Liderado por Elina Hyppönen, da Universidade do Sul da Austrália, o novo estudo baseou-se na análise de informação de 337.536 pessoas que integravam a base de dados UK Biobank.
 
Os investigadores usaram uma abordagem genética para analisarem, na informação recolhida, associações entre o índice de massa corporal (IMC) e uma série de resultados de doenças nos participantes. 
 
Estudos anteriores sugeriram que o IMC elevado está associado a um maior risco de doenças crónicas como diabetes de tipo 2, cancro e doenças cardiovasculares, sem, contudo, se ter comprovado uma relação de causa e efeito.
 
“Comparámos evidência a partir de cinco abordagens estatísticas diferentes para estabelecer o quão forte é na realidade a evidência para um efeito causal”, explicou a investigadora que liderou o estudo.
 
As abordagens proporcionaram evidência totalmente consistente relativamente a 14 doenças diferentes.  Foi também obtida evidência a partir de quatro ou cinco abordagens para 26 doenças diferentes.
 
Um achado importante do estudo foi o facto de ter confirmado as preocupações existentes relativamente a uma ligação entre a obesidade e a diabetes, e que muitas das doenças identificadas como relacionadas com um IMC elevado estão significativamente associadas à diabetes mal controlada.
 
“Por exemplo, vimos evidência para efeitos sobre doenças dos nervos periféricos, úlceras crónicas na perna e pé e mesmo gangrena e insuficiência renal, que se sabe serem complicações diabéticas. Isto sugere que um aspeto-chave em reduzir o risco de comorbidades na obesidade é a monitorização cuidada do açúcar no sangue e um controlo eficaz da diabetes e das suas complicações”, disse Elina Hyppönen.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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