Tratamento do "cancro como um ecossistema"?

Considerações de Sobrinho Simões

07 maio 2019
  |  Partilhar:
O fundador do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (Ipatimup), Manuel Sobrinho Simões, defendeu que os investigadores, clínicos e representantes da indústria farmacêutica devem "colaborar" no tratamento do "cancro como um ecossistema".
 
Sobrinho Simões, que falava à agência Lusa a propósito do XXVI Porto Cancer Meeting, adiantou que a "ideia de ecossistema do cancro", tema da 26ª edição do encontro, visa a aproximação e ligação dos "universos distintos" da investigação, medicina e indústria farmacêutica.
 
Esta edição do Porto Cancer Meeting juntou investigadores, clínicos e representantes da indústria farmacêutica num debate em torno das células tumorais e do seu ambiente, fator "cada vez mais importante" para adequar as terapias aos diferentes tumores.
 
"Nós próprios somos uma espécie de organismo e é muito interessante porque já percebemos que o cancro é também muito mais do que uma célula cancerosa, é um ecossistema. Temos muito a ideia de que se tratarmos a célula cancerosa regredimos o cancro, não, nós temos é de perceber o contexto", sublinhou.
 
Segundo Sobrinho Simões, entre a apresentação de estudos desenvolvidos por clínicos especializados, esta edição debruçou-se também sobre a "ligação com o microbioma" e a "presença das bactérias" nos diferentes órgãos do nosso corpo.
 
"Foi apresentado um estudo que tem a capacidade de fazer um diagnóstico de um pólipo que a pessoa tem no intestino, através do estudo das bactérias alojadas na boca e nas fezes", exemplificou, acrescentando que estas investigações têm um papel "extraordinário" no diagnóstico da doença.
 
Sobrinho Simões adiantou também que uma das sessões destacou a "inflamação" e a relação entre as bactérias e os vírus com o sistema imunitário.
 
"(…) foram apresentados estudos sobre o cancro do pâncreas e do fígado e como é que eles são percebidos pela inflamação", disse, avançando que em "todos os órgãos do nosso corpo o risco é o surgimento de uma inflamação crónica".
 
"Quando há um desequilíbrio entre nós e os ‘bichos’ que estão dentro de nós passamos a ter a inflamação, e sabemos que essa inflamação é a situação mais grave em termos de risco de cancro", concluiu.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Partilhar:
Comentários 0 Comentário