Tipo de açúcar poderá desacelerar cancro e melhorar quimioterapia

Estudo publicado na revista “Nature”

29 novembro 2018
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O açúcar manose tem a capacidade de desacelerar o crescimento tumoral e aumentar os efeitos da quimioterapia em ratinhos com múltiplos tipos de cancro, foram as conclusões de um estudo.
 
Os tecidos tumorais requerem mais glicose do que os tecidos saudáveis para sobreviver. No entanto, é muito difícil controlar a quantidade de glicose no organismo apenas através da alimentação. 
 
Neste estudo, Kevin Ryan do Instituto Beatson da organização Cancer Research UK, Reino Unido, liderou uma equipa de investigadores que descobriu que a manose consegue interferir com a glicose, reduzindo a quantidade de açúcar usado pelas células cancerígenas.
 
“Os tumores necessitam de muita glicose para crescer, pelo que limitar a quantidade que podem usar deveria desacelerar a progressão do cancro”, observou o investigador. “O problema é que os tecidos normais também precisam de glicose; assim, não a podemos retirar totalmente do organismo”, explicou.
 
A equipa conseguiu identificar uma dose de manose que conseguia bloquear glicose suficiente para desacelerar os tumores em ratinhos com cancro, mas não ao ponto de afetar os tecidos normais.
 
Para a investigação, a equipa adicionou manose à água de beber de ratinhos com cancro do pâncreas, pulmão ou da pele. Como resultado, a evolução dos tumores dos ratinhos desacelerou significativamente e não causou nenhum efeito adverso visível.
 
Seguidamente, os ratinhos foram tratados com dois fármacos quimioterápicos comuns: cisplatina e doxorrubicina. Os investigadores observaram que a manose tinha potenciado os efeitos da quimioterapia, desacelerando o crescimento tumoral, reduzindo as dimensões dos tumores e aumentou ainda a longevidade nalguns animais.
 
Algumas células de outros tipos de cancro como leucemia, cólon, ovário, etc., cultivadas em laboratório, responderam também bem ao tratamento com manose, mas outras células não. 
 
Kevin Ryan avançou que a próxima etapa será perceber por que razão o tratamento apenas funciona com algumas células, de forma a identificar que pacientes poderão beneficiar do mesmo. Entretanto, como esta é ainda uma investigação em fase inicial, o investigador recomenda que os doentes não comecem a tomar suplementos de manose. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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