Projeto sobre leucemia vence bolsa D. Manuel de Mello

Bolsa atribuída ao investigador Delfim Duarte, da Universidade do Porto

21 fevereiro 2019
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O investigador Delfim Duarte, da Universidade do Porto, venceu a Bolsa D. Manuel de Mello, no valor de 50.000 euros, com um trabalho que visa analisar o papel de uma proteína no reaparecimento da leucemia mieloide aguda.
 
Em entrevista à Lusa, Delfim Duarte, investigador do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) e interno de dermatologia no IPO-Porto, explicou que o projeto distinguido pretende “explorar o papel da proteína CD18 na adesão celular”, ou seja, no processo de interação e ligação entre as células da leucemia e da medula óssea.
 
“A adesão celular é muito importante porque é graças a ela que as células da leucemia recebem sinais que lhes permitem proliferar, expandir e, por outro lado, sobreviver à quimioterapia”, frisou Delfim Duarte.
 
A leucemia mieloide aguda, doença “rara” e “bastante agressiva”, tem uma maior incidência em pessoas com mais de 65 anos e é provocada pela “proliferação descontrolada de glóbulos brancos”, tendo como consequência para o doente a perda de células normais do sangue, o aparecimento de cansaço, hemorragias e várias infeções.
 
Segundo Delfim Duarte, o facto de os vasos sanguíneos da medula óssea, quando expostos a estímulos inflamatórios, aumentarem a expressão desta proteína, leva os investigadores a acreditar que a proteína CD18 poderá vir a “promover a ligação entre o microambiente inflamado e as células da leucemia”.
 
“Esta ligação entre as células e o microambiente vai favorecer o aparecimento de sinais que permitem a resistência à quimioterapia e o reaparecimento da leucemia”, esclareceu.
 
À Lusa, Delfim Duarte adiantou que, caso se prove a “importância da proteína na adesão celular e na sobrevivência à quimioterapia”, será então possível usar fármacos e terapêuticas dirigidas com o objetivo de “desprender as células da leucemia do microambiente”.
 
“Se ela [proteína CD18] for realmente importante para a leucemia, então o objetivo é derrotá-la, usando a estratégia de a retirar dessa adesão para depois a combater”, salientou o investigador.
 
Além de averiguar o papel da proteína CD18 no reaparecimento da leucemia mieloide aguda, a investigação, que vai decorrer nos próximos dois anos, pretende ainda perceber qual a “percentagem de doentes que a expressam”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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